Bolsas asiáticas registram marcas históricas com forte avanço tecnológico

Impulsionadas pela inteligência artificial e semicondutores, as bolsas asiáticas atingiram novos recordes de fechamento nesta segunda-feira.

O otimismo tomou conta dos principais mercados financeiros do continente no início desta semana. Impulsionadas pelo rali global de inteligência artificial (IA) e por anúncios governamentais de grande escala, as bolsas asiáticas fecharam com resultados expressivos e novos recordes históricos de valorização nesta segunda-feira, 22 de junho. O movimento de alta ocorreu a despeito do cenário de volatilidade no mercado de commodities e das tensões geopolíticas em curso no Oriente Médio.

O recorde histórico da Bolsa de Tóquio

O índice Nikkei 225, o principal termômetro da Bolsa de Tóquio, encerrou o dia acima da marca inédita de 72.000 pontos. O indicador avançou 1.103,90 pontos, o equivalente a uma alta de 1,55%, finalizando cotado a 72.353,96 pontos. Trata-se do sexto dia consecutivo em que o índice renova a sua pontuação máxima de fechamento. Durante o pregão, a forte pressão de compra fez o Nikkei registrar uma oscilação positiva momentânea superior a 2%, tocando a máxima intradiária de 72.648,47 pontos antes de perder tração no final da tarde devido a movimentos de realização de lucros por parte de investidores receosos com o superaquecimento do mercado.

O índice Topix, de abrangência ampliada, acompanhou o desempenho positivo e encerrou com ganho de 1,24%, estacionando em 4.095,05 pontos. Os setores que lideraram os ganhos no mercado de primeira linha de Tóquio foram os de metais não ferrosos, produtos de vidro e cerâmica, além de aparelhos elétricos.

O grande motor por trás dessa disparada foram os relatórios divulgados no fim de semana apontando que o governo japonês estuda implementar um plano massivo de investimentos públicos e privados avaliado em cerca de 370 trilhões de ienes (aproximadamente 2,3 trilhões de dólares) voltado para 17 áreas estratégicas de crescimento até o ano fiscal de 2040.

O mercado de tecnologia reagiu com entusiasmo imediato à fatia direcionada ao segmento técnico. “Das 17 áreas de crescimento, os relatos de que 10,5 trilhões de ienes serão investidos em inteligência artificial física, em particular, impulsionaram as ações relacionadas ao campo devido às expectativas de um aumento na demanda”, disse Wataru Akiyama, estrategista do Departamento de Conteúdo de Investimento da Nomura Securities. Como reflexo direto desse cenário, os papéis da holding de investimentos SoftBank Group avançaram 1,9%, enquanto a fabricante de equipamentos para chips Tokyo Electron registrou valorização de 3,2%.

Desempenho comparativo das bolsas asiáticas

A euforia com a inteligência artificial e os semicondutores não ficou restrita ao território japonês e se espalhou por outras praças da região. Na Coreia do Sul, o índice Kospi avançou 0,7% e estabeleceu um recorde de fechamento ao atingir 9.114,55 pontos, impulsionado pela fabricante de chips de memória SK Hynix, cujas ações saltaram 5,6%. O avanço de longo prazo impressiona: nos últimos seis meses, o Nikkei 225 acumulou alta superior a 40%, ao passo que o Kospi valorizou-se mais de 120%.

Analistas internacionais, contudo, recomendam uma postura comedida frente à velocidade dos ganhos recentes. “Estamos vendo outro mercado forte hoje”, disse Neil Newman, diretor administrativo e chefe de estratégia da Astris Advisory Japan. O especialista alertou que o mercado japonês está “provavelmente ficando um pouco esticado”, disse Neil Newman sob a ótica do investidor, em especial diante dos riscos associados aos desdobramentos de segurança no Oriente Médio.

Tabela: Desempenho dos Principais Índices da Região

Índice de MercadoPaís/RegiãoVariação PercentualPontuação de Fechamento
TaiexTaiwan+2,8%Não especificada
Shanghai CompositeChina+1,8%4.163,10
Nikkei 225Japão+1,55%72.353,96
KospiCoreia do Sul+0,7%9.114,55
SensexÍndia+0,4%Não especificada
MSCI Asia-PacificRegional (ex-Japão)+1,0%Não especificada
S&P/ASX 200Austrália-0,1%8.816,10
Hang SengHong Kong-0,6%23.785,50

Mercado cambial e a postura do Federal Reserve

No cenário de moedas, o dólar comercial ganhou força e subiu para a faixa superior de 161 ienes no mercado de Tóquio, fechando cotado a 161,76 ienes. A moeda norte-americana continua atraindo compradores por sua natureza de ativo de proteção em momentos de crise, impulsionada pelas dúvidas em torno do desfecho do conflito internacional envolvendo os Estados Unidos e o Irã. O avanço da divisa norte-americana em relação ao iene só não testou a resistência técnica histórica de 161,96 ienes por conta do temor generalizado do mercado quanto a uma intervenção direta do Banco do Japão para conter a desvalorização cambial. O euro, por sua vez, foi negociado a 1,1445 dólar e 185,23 ienes.

Outro fator de sustentação global para o dólar foi a postura rígida demonstrada pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na semana anterior, o que levou os agentes financeiros a precificarem uma probabilidade de 75% de um aumento nas taxas de juros americanas já no mês de setembro. Os rendimentos das notas do Tesouro de dois anos subiram para 4,2276%, o nível mais alto desde o início do ano passado.

O mercado aguarda com ansiedade a divulgação, na próxima quinta-feira, do Índice de Preços de Gastos com Consumo Pessoal (PCE) de maio, o indicador de inflação favorito do Fed, que deve subir para 3,4%. O cenário macroeconômico global conta ainda com discursos agendados de autoridades monetárias, como o diretor Christopher Waller e o presidente do Fed de Nova York, John Williams. “Nossa projeção base é de paciência e um primeiro aumento na segunda metade de 2027, mas acreditamos que a margem de erro e a tolerância para uma inflação adicional são limitadas, com riscos reais de aumentos antecipados”, disse Fabio Bassi, chefe de estratégia de ativos cruzados do JPMorgan. Ele complementou afirmando que a instituição projeta tendências positivas para ativos de risco. “Continuamos construtivos em ativos de risco, pois a melhoria dos mercados de trabalho manterá as taxas mais altas por mais tempo, apoiando uma liderança estreita em crescimento de qualidade, grandes empresas e tecnologia”, disse Fabio Bassi.

Geopolítica, navegação e commodities

As negociações diplomáticas de alto nível realizadas na Suíça entre representantes norte-americanos e iranianos foram concluídas no início desta segunda-feira, abrindo espaço para debates técnicos de menor escalão ao longo da semana. Mediadores de Catar e Paquistão relataram avanços animadores na elaboração de um roteiro para alcançar um acordo definitivo de paz no prazo de 60 dias.

Apesar do clima de otimismo moderado, o cenário permanece instável. O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou a ameaçar retomar os ataques militares ao Irã no mesmo período em que o vice-presidente JD Vance se reunia com autoridades iranianas para debater os termos do acordo de paz provisório.

A instabilidade operacional também se refletiu no tráfego marítimo comercial. Teerã anunciou o fechamento do Estreito de Ormuz no fim de semana, uma das vias marítimas mais vitais do mundo para o transporte de insumos energéticos. Sites de rastreamento de navios indicaram redução no volume de passagens, registrando o trânsito de 32 embarcações na sexta-feira e apenas 26 no sábado. Embora o governo dos Estados Unidos afirme que o fluxo de navios cargueiros não foi totalmente interrompido, analistas de commodities do banco ING demonstraram cautela. “Avançar em direção a um acordo mais permanente será desafiador, com riscos muito reais de um surto de hostilidades”, disse Warren Patterson. A visão é compartilhada por Thomas Mathews, chefe de mercados para a Ásia-Pacífico da Capital Economics. “Com o controverso, e frágil, processo de paz entre EUA e Irã agora em andamento, as atenções se voltam para a rapidez com que os navios-tanque retornarão ao Estreito de Ormuz para carregar suprimentos de energia”, disse Thomas Mathews.

No mercado de commodities, os futuros do petróleo do tipo Brent recuaram 1,1%, sendo negociados a 79,70 dólares o barril, valor significativamente abaixo do pico de 126,41 dólares registrado em maio, mas ainda superior aos 70 dólares cobrados antes do início das hostilidades em fevereiro. O petróleo bruto dos EUA manteve-se firme em 77,52 dólares o barril. Por fim, as notícias sobre o andamento das conversas de pacificação ajudaram o ouro a subir 1,1%, atingindo o patamar de 4,205 dólares a onça-prima.

Instabilidade política no Reino Unido

No plano internacional europeu, a libra esterlina registrou desvalorização de 0,2%, cotada a 1,3210 dólar, penalizada por rumores políticos de que o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, estaria avaliando seu futuro no cargo. A pressão sobre o premiê intensificou-se após a vitória eleitoral decisiva de seu rival político, Andy Burnham, para o parlamento, o que motivou diversos ministros do Partido Trabalhista a pedirem publicamente a renúncia do chefe de governo. Diante da incerteza sobre um potencial desafio à liderança e seus reflexos fiscais, analistas de mercado apontam que os títulos públicos britânicos devem seguir sob pressão de venda.

Com informações via Mainichi Shimbun – Link 1, Link 2 e Asahi Shinbun – Link 1, Link 2