Atividades sísmicas intensas atingiram países no Círculo de Fogo com maiores registros no Japão, Venezuela e Estados Unidos, mobilizando autoridades locais.
Uma série de abalos sísmicos de forte magnitude atingiu diferentes pontos do planeta entre a quarta-feira e a manhã de quinta-feira. Os fenômenos ocorreram em países cujos territórios estão situados no chamado Círculo de Fogo, uma das zonas geologicamente mais ativas do mundo. Apesar de terem acontecido em um curto intervalo de tempo, especialistas esclarecem que os tremores foram gerados por sistemas de falhas e limites de placas tectônicas totalmente distintos, descartando uma relação direta entre os eventos.
Sismo de forte intensidade assusta o norte do Japão
Na manhã de quinta-feira, por volta das 7h30 no horário local, um forte terremoto de magnitude preliminar 7,2 atingiu a costa nordeste do Japão. O epicentro do fenômeno foi localizado no Oceano Pacífico, ao largo da província de Iwate, a uma profundidade de 44 quilômetros. O abalo foi inicialmente reportado como tendo uma magnitude de 6,9 e profundidade de 50 quilômetros, mas os dados foram revisados posteriormente pelas agências meteorológicas.
O sismo gerou tremores de intensidade 6 forte na escala japonesa (que vai de 0 a 7) na localidade de Hashikami e 6 fraco na cidade de Hachinohe, ambas pertencentes à província de Aomori. Essa classificação técnica de intensidade significa que é praticamente impossível manter-se de pé ou se mover sem rastejar durante o evento. O abalo também provocou um movimento de solo de longo período, gerando oscilações prolongadas nos andares mais altos de edifícios em regiões como Hokkaido, Iwate, Miyagi, Akita e até mesmo em Tóquio.
Embora o abalo tenha causado variações leves no nível do mar, a Agência de Meteorologia do Japão descartou qualquer risco de danos por tsunami. O órgão também explicou que não emitiu um aviso subsequente de terremoto para a região de Hokkaido e Sanriku porque a magnitude de momento calculada foi de 6,8, ficando abaixo do limite técnico de 7,0 exigido para o alerta.

Pelo menos seis pessoas sofreram ferimentos leves em decorrência do terremoto, incluindo adolescentes, pessoas na faixa dos 50 anos e uma idosa de 90 anos que caiu na província de Iwate. O corpo de bombeiros local recebeu inúmeros chamados de emergência, registrando inclusive incidentes de pessoas presas em elevadores nas cidades de Hachinohe e Morioka, que foram resgatadas em segurança. Devido aos tremores, dezenas de escolas suspenderam as atividades na província de Aomori.
As empresas administradoras das usinas nucleares de Higashidori, Onagawa, Fukushima Daiichi e Daini informaram que os complexos operam normalmente e que os níveis de radiação permaneceram inalterados. O transporte ferroviário de trens-bala Shinkansen sofreu interrupções temporárias nas linhas Tohoku e Akita, mas os serviços foram totalmente normalizados no início da tarde.
Diante da situação, as autoridades emitiram comunicados oficiais à população. A primeira-ministra Sanae Takaichi informou que o governo está reunindo informações para avaliar todos os impactos do ocorrido e pediu para os moradores das áreas afetadas permanecerem vigilantes. O monitoramento técnico segue rigoroso para os próximos dias. “Convém ficar em alerta máximo para o risco de novos terremotos e precipitação de chuva. Recomendamos não entrar em locais sob perigo. Há risco de terremotos com intensidade 6 forte em torno dos próximos sete dias, de modo particular nos próximos dois dias” disse Ebita Ayataka.
Estado de emergência decretado na Venezuela
O território da Venezuela também foi severamente sacudido por dois terremotos de forte magnitude, medindo 7,2 e 7,5 na escala Richter, ocorridos entre o fim da tarde e a noite de quarta-feira. Os abalos principais foram seguidos por pelo menos 20 réplicas na região, um comportamento de falhas geológicas considerado incomum por sismólogos. As áreas que sofreram os maiores impactos no país incluem os estados de Trujillo, Yaracuy, Carabobo, Aragua, Miranda, La Guaira e a capital Caracas.
Em resposta imediata à crise, o governo nacional adotou medidas institucionais de urgência para coordenar o atendimento às vítimas. A presidente Delcy Rodriguez decretou estado de emergência para lidar com os danos materiais e humanos decorrentes do desastre. A mandatária solicitou uma ampla mobilização de profissionais de saúde em todo o país, determinou a suspensão das aulas pelo restante da semana e pediu união à população para salvar vidas.
No Brasil, moradores da região de Manaus também registraram os tremores.
Tremor histórico atinge a Califórnia, nos Estados Unidos
Na manhã de quarta-feira, a área rural da Califórnia, nos Estados Unidos, registrou um terremoto de magnitude 5,6 na escala Richter. De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o abalo sísmico representou o maior tremor registrado nessa zona específica desde o ano de 1940.
O epicentro do fenômeno foi identificado a uma profundidade de 8 quilômetros e a uma distância de 12 quilômetros da cidade de Willits. Embora as autoridades tenham confirmado o atendimento a moradores feridos, não houve o registro de mortes na região. O sismo provocou danos na rede de infraestrutura local, resultando na queda de luz em seis cidades e deixando mais de 6 mil moradores temporariamente sem energia elétrica.
A dinâmica do Círculo de Fogo do Pacífico
A recorrência desses fenômenos em locais geograficamente distantes como o Japão, a Rússia (na Península de Kamchatka), a Califórnia e a Venezuela se explica pela localização dessas regiões ao longo das bordas do Oceano Pacífico, área batizada de Círculo de Fogo. Essa vasta zona concentra cerca de 90% de todos os terremotos registrados no planeta.
O elevado índice de atividade sísmica ocorre devido ao intenso cruzamento e atrito entre diferentes placas tectônicas que formam a crosta terrestre. Além dos sismos frequentes, a dinâmica tectônica da região propicia a formação de profundas fossas oceânicas e extensas cadeias vulcânicas, abrigando aproximadamente 75% de todos os vulcões ativos da Terra.
