O possível Super El Niño preocupa autoridades e pode elevar os preços dos alimentos no Japão e no mundo devido à queda na produção agrícola.
O fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas no Oceano Pacífico, tem uma probabilidade cada vez maior de se transformar em um Super El Niño. Especialistas alertam que este pode ser um dos eventos mais fortes já registrados, o que traz sérias preocupações para a economia global e, especialmente, para o bolso dos consumidores no arquipélago.
Em 9 de julho, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos projetou uma probabilidade de 81 por cento de ocorrência de um Super El Niño entre outubro e dezembro deste ano. A Agência Meteorológica do Japão também monitora a situação de perto e confirma que as condições de El Niño já estão presentes e devem continuar até o outono boreal.

Impacto direto na agricultura e nos preços
Temperaturas anormalmente altas reduzem a produtividade agrícola e aumentam os danos causados por pragas e doenças. Consequentemente, um Super El Niño poderia elevar os preços dos alimentos em todo o mundo, afetando diretamente a cesta básica da população.
O Instituto de Pesquisa do Japão estima que a consequente queda na produção agrícola poderá elevar os preços globais dos alimentos em 13 por cento ao ano até 2027. O cenário se torna ainda mais complexo quando combinado com outros fatores econômicos atuais.
“Quando combinada com os preços persistentemente altos do petróleo resultantes das tensões no Oriente Médio, os preços poderão aumentar de 20 a 30 por cento”, disse Hiromu Komiya, pesquisador do instituto.
Ele destaca que durante o último Super El Niño, ocorrido entre 2015 e 2016, a pressão inflacionária foi compensada porque os preços do petróleo bruto estavam significativamente mais baixos. Desta vez, no entanto, espera-se um duplo impacto devido à alta dos combustíveis.

A necessidade de previsões precisas
Cada evento climático possui características únicas, o que exige uma análise detalhada para mitigar os danos à agricultura e ao abastecimento.
“O El Niño varia em intensidade e duração a cada vez, portanto seus efeitos nunca são exatamente os mesmos. Precisamos prever as temperaturas e as chuvas, levando em consideração o aquecimento global em curso, e então avaliar o provável impacto na produção agrícola”, disse Toshichika Iizumi, pesquisador sênior da Organização Nacional de Pesquisa Agrícola e Alimentar.
Riscos para as cadeias de suprimentos
Os efeitos indiretos na economia também podem ser substanciais e afetar diretamente o cotidiano da população. Na China e em países do Sudeste Asiático, onde operam inúmeras empresas japonesas, a energia hidrelétrica representa uma alta proporção da geração total de eletricidade.
Se o Super El Niño trouxer períodos de seca prolongada, a escassez de energia poderá se agravar nessas regiões. Isso poderia interromper as cadeias de suprimentos de uma ampla gama de produtos e matérias-primas, aumentando o risco de impactos negativos na economia japonesa e gerando mais inflação interna.
O governo da primeira-ministra Sanae Takaichi e o PLD devem ficar atentos a esses indicadores para traçar políticas de mitigação que protejam os consumidores e a indústria nacional nos próximos meses.
Com informações de: NOAA e Agência Meteorológica do Japão (JMA).
