O projeto Cool Japan será dissolvido após acumular prejuízos bilionários. O governo japonês avalia o encerramento definitivo das atividades do fundo.
O declínio de uma iniciativa ambiciosa
Treze anos após seu lançamento com grande alarde para promover a cultura japonesa no exterior, a iniciativa do Cool Japan está chegando ao fim de forma silenciosa. O fundo de investimento público-privado acumula prejuízos massivos, e o Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão já iniciou os trâmites burocráticos para sua dissolução.
O Fundo Cool Japan (CJ Fund) foi estabelecido em 2013 pelo então primeiro-ministro Shinzo Abe como sua iniciativa de destaque para impulsionar as vendas no exterior e promover o conteúdo japonês globalmente. Um dos projetos mais conhecidos financiados pela entidade foi o desenvolvimento do parque temático Junglia Okinawa, inaugurado em julho de 2025. No entanto, desde o seu início, o fundo foi criticado pela falta de expertise suficiente na seleção de projetos de investimento verdadeiramente viáveis.

Prejuízos bilionários e falta de sucessores
Muitos dos negócios apoiados pela entidade lutaram para gerar lucros, e as perdas continuaram a aumentar ano após ano. Como resultado direto dessa gestão, os prejuízos acumulados dispararam para cerca de 54 bilhões de ienes até o ano fiscal de 2025.
Diante desse cenário, o ministério iniciou discussões por meio de um painel de especialistas sobre a possível reorganização ou dissolução do fundo, com uma conclusão oficial esperada para o final deste ano. Fontes governamentais indicam que nenhum outro fundo de investimento público-privado manifestou vontade de assumir o Cool Japan, que atualmente está sobrecarregado com essas enormes dívidas.
O Ministério da Economia, Comércio e Indústria planeja não solicitar mais financiamento para a organização no próximo ano fiscal. Essa decisão efetivamente impedirá o fundo de realizar quaisquer novos investimentos, pavimentando o caminho para o seu encerramento.

Responsabilidade e o futuro da promoção cultural
Se o fundo for oficialmente dissolvido, seus negócios de investimento serão vendidos a partes externas. No entanto, se os recursos obtidos com as vendas forem insuficientes para compensar os prejuízos acumulados, uma parte do capital do governo será simplesmente cancelada, representando uma perda direta aos cofres públicos.
A responsabilidade pelo mau desempenho da entidade deve se tornar uma questão central nas discussões políticas. Falando em uma coletiva de imprensa, o Ministro da Indústria, Ryosei Akazawa, assumiu a culpa institucional.
“A responsabilidade principal cabe à equipe de gestão do fundo. Como ministério supervisor, o Ministério da Indústria também assume sua responsabilidade”, disse o Ministro da Indústria, Ryosei Akazawa.
A atenção da sociedade agora está voltada para saber se o ministério irá além de simplesmente dissolver a entidade e conduzirá uma análise profunda e transparente das causas por trás das perdas massivas. Sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi e do PLD, o governo japonês enfrenta o desafio de reavaliar como promover a cultura nipônica no mundo de forma sustentável, aprendendo com os erros do passado para evitar novos prejuízos e garantir que o verdadeiro valor do Japão seja compartilhado com eficiência.
Com informações de: The Asahi Shimbun e NHK World.
