ONU lança iniciativa sobre uso militar da inteligência artificial

Mundo Tecnologia

A Organização das Nações Unidas (ONU) lançará uma iniciativa internacional para discutir o uso militar da inteligência artificial e os riscos da tecnologia. O projeto pretende reunir representantes de diferentes países e setores para debater formas de lidar com os desafios da IA no campo militar.

O Instituto das Nações Unidas para Pesquisa sobre Desarmamento (UNIDIR), com sede em Genebra, na Suíça, apresentará a iniciativa nesta quinta-feira. O diretor da instituição, Robin Geiss, alertou que a margem para decisões humanas está diminuindo, inclusive no campo nuclear.

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A inteligência artificial já aparece em sistemas de alerta antecipado, coleta de informações e reconhecimento. Segundo Geiss, essa expansão dificulta identificar em que momento os humanos podem perder o controle sobre as operações. Além disso, a competição internacional pelo domínio da tecnologia dificulta a criação de regras comuns.

No entanto, as preocupações com os riscos da IA também mobilizam grandes potências. Geiss citou uma proposta apresentada no mês passado para que Estados Unidos e China criem um sistema de alerta sobre problemas relacionados à tecnologia que possam ameaçar a segurança nacional.

Centro da ONU prepara diretrizes para o setor

Neste ano, o UNIDIR criou o Centro de Excelência em Inteligência Artificial, Paz e Segurança, uma plataforma permanente dedicada ao tema. A instituição recebeu financiamento das cinco principais potências nucleares: Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França.

O centro também prepara diretrizes voluntárias para orientar a atuação da indústria no desenvolvimento de tecnologias militares. O objetivo é incentivar práticas compatíveis com o direito internacional e os direitos humanos. Para isso, a ONU realizará consultas com empresas de tecnologia de defesa, desenvolvedores de software, investidores, governos, representantes da sociedade civil e especialistas.

Outra iniciativa abordará os riscos do uso indevido da inteligência artificial por grupos armados. De acordo com Geiss, esses grupos já utilizam a tecnologia no planejamento e na execução de operações, além de atividades logísticas. A nova iniciativa busca ampliar a cooperação internacional para enfrentar os desafios relacionados ao uso militar da IA.

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