Prática comum? Ex-premiê teria dado vales-presente a parlamentares, levantando questionamentos sobre cultura política no país.
A polêmica sobre o uso de vouchers como forma de benefício político no Japão ganhou um novo capítulo com a revelação de que o ex-primeiro-ministro Fumio Kishida teria distribuído vales-presente no valor de 100 mil ienes (cerca de R$ 3.300) a parlamentares vice-ministros durante um jantar oficial em dezembro de 2022.
A informação, divulgada por fontes do Partido Liberal Democrata (PLD), surge em um momento delicado para o governo, já que o atual primeiro-ministro, Shigeru Ishiba, enfrenta questionamentos sobre a entrega de vouchers semelhantes a novos membros da Câmara Baixa. O PLD já lida com uma crise de confiança popular, agravada por um escândalo recente de financiamento político.
Suspeitas sobre uma prática recorrente
A prática de distribuir vales-presente parece não ser inédita. Segundo relatos, parlamentares também receberam vouchers de 50 mil a 100 mil ienes durante encontros realizados nos governos de Shinzo Abe (2012-2020), Yoshihide Suga (2020-2021) e Taro Aso (2008-2009).
O próprio gabinete de Suga admitiu que “souvenirs” foram distribuídos em reuniões com parlamentares, mas negou qualquer ilegalidade. Já o escritório de Aso preferiu não esclarecer se vouchers foram entregues durante sua gestão, limitando-se a dizer que tudo foi tratado “de forma apropriada”.
O impacto político e a resposta da oposição
A revelação aumentou as pressões sobre o atual governo. A oposição exige explicações no parlamento, e o líder do Partido Democrático Constitucional do Japão (PDCJ), Yoshihiko Noda, criticou duramente a situação:
“Nunca distribuí vouchers. Parece ser um problema estrutural dentro da cultura política do PLD”, afirmou.
O caso também lança uma sombra sobre as discussões do orçamento nacional para o próximo ano fiscal e causa indignação popular, especialmente em um período de inflação crescente e dificuldades econômicas para as famílias japonesas.
Com eleições para a Câmara Alta previstas para o meio do ano, a crise de confiança no PLD pode impactar os resultados e aumentar a pressão sobre o premiê Ishiba, que já enfrenta dificuldades para recuperar a popularidade desde que assumiu o cargo há cinco meses.
Mitsunari Okamoto, chefe de política do Komeito, partido aliado ao governo, cobrou transparência:
“Se a distribuição de vouchers foi uma prática habitual, isso é inaceitável.”
Diante das acusações, Ishiba negou ter conhecimento sobre o costume entre ex-premiês e evitou se comprometer com uma resposta definitiva. O governo agora tenta conter os danos antes das próximas eleições.