Incêndio em Wang Fuk Court é o mais fatal desde 1997, com 128 vítimas. Autoridades prendem 4 pessoas por negligência e confirmam que alarmes em todos os prédios não funcionaram.
O número de vítimas do incêndio de grandes proporções no complexo residencial Wang Fuk Court, no distrito de Tai Po, subiu drasticamente dois dias após o ocorrido. As autoridades de Hong Kong confirmaram nesta sexta-feira (28 de novembro) que o saldo de mortes atingiu 128 pessoas, tornando-o o incêndio mais fatal da região desde a transferência de soberania para a China, em 1997.
Cerca de 80 pessoas estão feridas e dezenas de corpos ainda não foram identificados. O Secretário de Segurança, Chris Tang, não descartou a possibilidade de que mais corpos sejam encontrados, com cerca de 200 pessoas ainda desaparecidas.

Falhas de Segurança e Material Inflamável
Embora o incêndio esteja agora “em grande parte extinto”, as investigações preliminares apontam para falhas críticas de segurança e a rápida propagação das chamas devido a materiais usados em uma reforma em andamento.
- Causa da Propagação: Acredita-se que o fogo tenha começado na parede exterior de um dos edifícios e se alastrado rapidamente pela placa de espuma (foam board) utilizada no projeto de remodelação.
- Obstrução do Resgate: O complexo estava coberto por andaimes de bambu e malha de proteção, o que, além de alimentar o fogo, colapsou e bloqueou as entradas para os veículos de emergência.
- Falha Crítica: O Diretor do Corpo de Bombeiros, Andy Yeung, confirmou que uma inspeção revelou que os alarmes de incêndio nos oito edifícios não soaram, prometendo ações de fiscalização.

Prisões por Homicídio e Resposta Governamental
Em resposta à dimensão da tragédia e às evidências de negligência, a polícia de Hong Kong agiu rapidamente, realizando prisões relacionadas ao projeto de reforma do complexo.
- Prisões: A polícia prendeu três homens (diretores e um consultor de uma empresa de obras) sob suspeita de homicídio culposo e negligência grave. A Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC) também prendeu um quarto homem, diretor de uma consultoria de engenharia.
- Fundo de Ajuda: O Executivo-Chefe de Hong Kong, John Lee, estabeleceu três forças-tarefa para investigar a causa, fornecer alojamento e assistência financeira.
- Solidariedade: Grandes conglomerados prometeram doar um total superior a HK$ 500 milhões (aproximadamente US$ 64 milhões) para socorro de emergência e acomodações temporárias para os afetados.
Familiares e voluntários continuam na busca por desaparecidos e na doação de suprimentos emergenciais, enquanto a polícia inspeciona outros 11 projetos de reforma que envolviam as empresas responsáveis pelo trabalho no Wang Fuk Court.
Além da mobilização interna e das doações milionárias, a tragédia gerou reações diplomáticas. A Primeira-Ministra do Japão, Sanae Takaichi, divulgou uma mensagem de condolências na quinta-feira, expressando estar “profundamente entristecida” pela catástrofe. Takaichi declarou seus “mais profundos pêsames pelas pessoas que perderam suas vidas” e estendeu seus “profundos sentimentos de solidariedade” a todos os que sofreram com as consequências do incidente.
Com informações via NHK World e Mainichi Shimbun
