Japão, China e Coreia do Sul se opuseram à medida na conferência da CITES no Uzbequistão, temendo a alta de preços e impacto na indústria. Enguias europeias já possuem regulamentação.
Uma proposta da União Europeia (UE) para estender a proteção e regulamentação do comércio internacional a todas as espécies de enguia foi rejeitada em uma votação realizada nesta quinta-feira (27 de novembro), durante a Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies da Flora e Fauna Selvagens em Perigo de Extinção (CITES), em Samarcanda, no Uzbequistão.
A proposta visava incluir todas as espécies do gênero Anguilla, incluindo a enguia japonesa (Anguilla japonica), no Apêndice II da CITES.
Motivação da Proposta e Oposição do Japão
As enguias europeias já estão protegidas pelo pacto desde 2007, exigindo uma licença emitida pelo país exportador para o comércio. A UE e outros países buscaram estender restrições semelhantes para mitigar o declínio dos estoques e o risco de rotulagem incorreta (mislabeling) no comércio, já que as espécies se assemelham visualmente.
O Japão, o maior consumidor mundial de enguias, liderou a oposição à medida, apoiado pela China e pela Coreia do Sul, onde a criação de enguias é uma indústria importante.
- Preocupação Japonesa: O governo japonês temia que a adoção da regulamentação pudesse estagnar as importações e causar uma alta acentuada nos preços ao consumidor, já que cerca de 70% do suprimento doméstico é importado (sendo 90% dessas importações provenientes da China).
- Posicionamento Oficial: A Agência de Pesca do Japão argumenta que os recursos da enguia japonesa são rigorosamente gerenciados e que os níveis populacionais estão suficientemente mantidos.
Debate sobre a Gestão dos Recursos
O debate na CITES reflete uma divisão entre a necessidade de conservação e o impacto econômico da regulamentação.
O empresário Masahiro Yamamoto, presidente de uma rede de mais de 300 restaurantes de enguia, reconheceu a importância da conservação, mas considerou a regulamentação prematura: “Francamente, ainda há muito que não entendemos sobre [a ecologia das] enguias.”
No entanto, especialistas como Hiromi Shiraishi, pesquisador da Universidade Chuo, alertam que a gestão dos recursos é falha: “Além do contrabando de enguias europeias, a pesca ilegal é galopante para as enguias americanas e japonesas.”
Apesar da rejeição na sessão do comitê, o resultado da proposta será finalizado em uma assembleia geral que será realizada a partir de 4 de dezembro. Caso a medida fosse aprovada na plenária, as licenças de exportação seriam exigidas para todo o comércio de enguias (incluindo produtos processados) a partir de dois anos depois.
Com informações via Asahi Shimbun e NHK World
