Japão planeja aumentar taxas médicas após crise financeira em hospitais

Inflação e custos trabalhistas elevam prejuízos, e governo prepara reajuste histórico nos serviços de saúde

Hospitais e clínicas do Japão enfrentam uma grave crise financeira, levando ao fechamento de serviços médicos em várias regiões do país. O principal motivo é o aumento dos custos causado pela inflação e pela alta dos salários, enquanto as receitas das instituições permanecem praticamente as mesmas.

De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar, cerca de 70% dos hospitais e 40% das clínicas operaram no vermelho no ano de 2024. Muitos estabelecimentos têm dificuldade para manter suas atividades e atender a população.

Diferente de outros países, o sistema de saúde japonês funciona, em princípio, com seguro público. Isso significa que os preços de consultas, exames e medicamentos são definidos pelo governo. Hospitais e clínicas não podem aumentar esses valores por conta própria, mesmo quando seus custos sobem.

Com a inflação pressionando despesas como energia, equipamentos e mão de obra, a situação financeira das instituições de saúde se tornou ainda mais delicada. Por isso, cresce o debate sobre a necessidade de reajustar as chamadas “taxas de serviços médicos”.

O governo japonês revisa essas taxas a cada dois anos. O próximo ajuste está previsto para o ano de 2026. Em dezembro do ano passado, foi definida a taxa de revisão que orienta o orçamento da saúde. A parte principal, que inclui honorários médicos e custos com pessoal, terá aumento de 3,09%.

Esse será o maior reajuste em mais de 30 anos e foi bem recebido por profissionais da área da saúde. No entanto, o aumento também gera preocupação. Cada elevação de 1% nas taxas médicas representa cerca de 500 bilhões de ienes a mais nos gastos com saúde.

Com o reajuste previsto, estima-se que os custos adicionais cheguem a aproximadamente 1,5 trilhão de ienes no ano de 2026. Isso pode resultar em aumento dos prêmios de seguro e de outros valores pagos pela população.

Especialistas alertam que, embora o reajuste seja necessário para evitar o colapso do sistema, é preciso cautela para não sobrecarregar ainda mais os cidadãos. O desafio do Japão agora é equilibrar a sustentabilidade dos serviços médicos com o impacto financeiro para a sociedade.