Polícia encontra “manual de manipulação” em caso de gravação ilegal de vídeos sexuais em Tóquio

Homem que dizia praticar poligamia é acusado de controlar mulheres e vender vídeos íntimos gravados sem consentimento

A polícia de Tóquio encontrou um documento que analisava a personalidade e a criação de uma mulher no computador de um homem preso por envolvimento em gravações ilegais de vídeos sexuais. O material, segundo investigadores, era usado como um “manual de lavagem cerebral” para controlar mulheres.

O principal suspeito é Yohei Ono, de 39 anos, que afirmava praticar “poligamia”. Ele foi preso junto com outras duas mulheres por supostamente gravar, sem consentimento, relações sexuais com parceiras e vender os vídeos pela internet. A informação foi confirmada por fontes ligadas à investigação ao jornal Mainichi Shimbun.

A Polícia Metropolitana de Tóquio acredita que Ono criou o documento para manipular psicologicamente as mulheres com quem vivia. O arquivo tinha cerca de 10 páginas e foi encontrado em um computador apreendido em um apartamento no bairro de Shinjuku, onde os suspeitos moravam.

Segundo a polícia, Ono já havia sido preso em novembro de 2025 por manter uma adolescente confinada no mesmo apartamento após conhecê-la pelas redes sociais. O documento detalhava a personalidade e a história familiar da jovem e incluía relatos de situações em que ele conseguiu fazê-la obedecer às suas ordens.

O conteúdo também trazia frases consideradas graves pelos investigadores, incluindo o desejo de “transformar a filha nascida de minha esposa e fazê-la ter nosso filho”. Para a polícia, isso reforça a intenção de controle total sobre as vítimas.

Ainda de acordo com as autoridades, Ono colocava uma coleira no pescoço da adolescente e a chamava de “inu”, que significa “cachorro” em japonês. Ele também usava apelidos como “pinguim” e “coelho” para se referir à esposa e à filha adotiva, que viviam com ele.

No dia 6 de janeiro, a divisão de investigação da Polícia Metropolitana cumpriu novos mandados de prisão contra Ono, sua esposa Haruka, de 28 anos, e a filha adotiva Rin, de 24 anos. Eles são acusados de filmar e divulgar ilegalmente vídeos sexuais.

O trio é suspeito de gravar secretamente uma mulher na faixa dos 20 anos durante um encontro em um hotel de Shinjuku, em junho de 2024, e publicar os vídeos na internet em outubro do mesmo ano. A polícia informou que Ono confessou o crime, enquanto a esposa e a filha adotiva optaram por permanecer em silêncio.

As investigações indicam que, desde março de 2023, o grupo vendeu cerca de mil vídeos ilegais, que mostravam mais de 100 mulheres sem consentimento. O lucro obtido com as vendas ultrapassaria 55 milhões de ienes, o equivalente a aproximadamente 351 mil dólares.

A polícia segue investigando o caso para identificar outras possíveis vítimas e esclarecer todos os detalhes do esquema.