A primeira-ministra Sanae Takaichi busca consolidar sua base de poder ao dissolver a Câmara Baixa logo após o início da sessão parlamentar de janeiro de 2026.
O cenário político em Tóquio atingiu um ponto de ebulição nesta quarta-feira (14). A primeira-ministra Sanae Takaichi confirmou à cúpula da coalizão governista sua intenção de dissolver a Câmara Baixa do Parlamento (Dieta) imediatamente após a abertura da sessão ordinária em 23 de janeiro.
A estratégia visa aproveitar os altos índices de aprovação de seu gabinete, que se mantém popular desde que assumiu em outubro, para transformar sua “maioria apertada” em uma base de apoio sólida e inquestionável.
O Cronograma Provável da Eleição
Hirofumi Yoshimura, líder do Partido da Inovação do Japão (JIP) o parceiro júnior da coalizão liderada pelo PLD de Takaichi, indicou que o anúncio oficial deve ocorrer na próxima segunda-feira. Com base nos procedimentos constitucionais, as datas previstas para o pleito são:
- 23 de Janeiro: Convocação da sessão parlamentar e dissolução da Câmara.
- Início da Campanha: 27 de janeiro ou 3 de fevereiro.
- Dia da Votação: 8 ou 15 de fevereiro de 2026.
Riscos e Desafios Políticos
Apesar da popularidade de Takaichi, a manobra não está isenta de perigos. Atualmente, o bloco governista (PLD-JIP) detém uma maioria muito estreita na Câmara dos Representantes e é minoria na Câmara dos Conselheiros (Câmara Alta), o que exige negociações constantes com a oposição para aprovar projetos de lei.
A oposição já iniciou uma ofensiva crítica, apontando dois problemas principais:
- Atraso no Orçamento: O foco na eleição pode paralisar a votação do orçamento inicial para o ano fiscal de 2026, que começa em abril.
- Oportunismo: Adversários alegam que a pressa ignora a necessidade de debates parlamentares profundos sobre as políticas econômicas de Takaichi em favor de um ganho eleitoral imediato.
“A dissolução é uma prerrogativa da primeira-ministra, mas convocar eleições a menos de um ano e meio da última demonstra uma prioridade política acima da estabilidade administrativa.”, Analistas políticos da NHK.
Por que isso é importante agora?
Se Takaichi vencer com uma margem ampla, ela terá o mandato necessário para acelerar sua agenda de “gastos fiscais responsáveis” e políticas de defesa. Caso contrário, o Japão pode enfrentar um impasse legislativo ainda maior, especialmente na aprovação de medidas para conter as falências corporativas e a crise de mão de obra que já foi discutida anteriormente.
Com informações via Mainichi Shimbun
