Campanha eleitoral no Japão começa com foco na economia e impostos

Sanae Takaichi inicia campanha eleitoral no Japão prometendo crescimento e suspensão de taxas.

A terça-feira (27) marcou o início oficial da campanha eleitoral no Japão para a Câmara Baixa, um pleito convocado pela primeira-ministra Sanae Takaichi sob o argumento de buscar um mandato para políticas que, segundo ela, podem definir o futuro da nação. Com cerca de 1.200 candidatos disputando 465 cadeiras, a corrida eleitoral de apenas 16 dias será a mais curta e intensa do período pós-guerra.

Em seu primeiro discurso no movimentado bairro de Akihabara, em Tóquio, Takaichi enfatizou a economia como pilar central de sua gestão. “Acima de tudo, o que precisamos agora é de crescimento econômico. Estou convencida de que o Japão pode se tornar ainda mais forte e continuar a crescer” disse Sanae Takaichi. A líder do PLD prometeu elevar o poder nacional através de investimentos em tecnologia, defesa e capital humano.

A Guerra das Propostas Econômicas

O custo de vida e a inflação persistente transformaram a política tributária no principal campo de batalha desta campanha eleitoral no Japão. Para competir com a oposição, Takaichi anunciou um plano ousado: suspender o imposto sobre consumo de alimentos e bebidas por dois anos, começando no ano fiscal de 2026. Além disso, o governo preparou um orçamento suplementar que prevê auxílios de 20.000 ienes por criança.

Um painel com cartazes de candidatos para a eleição da Câmara Baixa de 8 de fevereiro em Sagae, província de Yamagata, em 25 de janeiro (Imagem via ASAHI)

Por outro lado, Yoshihiko Noda, co-líder da recém-formada Aliança Centro-Reformista escolheu a província de Aomori para lançar sua campanha, criticando o foco do governo. “Estamos sendo instados a escolher entre um governo que deixa a vida cotidiana das pessoas em segundo plano ou um caminho centrista que coloca as pessoas comuns em primeiro lugar” disse Yoshihiko Noda. O grupo Chudo propõe a isenção permanente do imposto sobre alimentos já a partir deste outono.

Segurança Nacional e Alianças Diplomáticas

A campanha eleitoral no Japão também reflete as tensões geopolíticas na Ásia. Takaichi, conhecida por sua postura firme em segurança, planeja estabelecer uma Agência Nacional de Inteligência e aprovar uma lei antiespionagem após as eleições. A relação com a China permanece tensa após declarações de Takaichi sobre Taiwan, enquanto a diplomacia com os Estados Unidos enfrenta incertezas devido à prioridade de Washington em seus próprios interesses hemisféricos sob a chamada “Doutrina Donroe”.

A primeira-ministra conta com o apoio do Nippon Ishin, partido que defende que o Japão deve ser capaz de se defender com as próprias mãos. Juntos, eles buscam expandir a maioria da coalizão governista na Dieta.

O Sentimento do Eleitor e as Pesquisas

As pesquisas mais recentes indicam que a estratégia de Takaichi de convocar eleições rápidas pode ser bem-sucedida. O suporte ao PLD subiu para 29,4%, atraindo eleitores de partidos menores. No entanto, o público está dividido. Enquanto jovens como Mei Togawa, de 19 anos, se sentem atraídos por ver a primeira mulher no cargo, eleitores mais experientes criticam o momento do pleito. “O PLD antes não era bom, mas com Takaichi é diferente” disse Kiyoshi Sekiguchi, de 81 anos.

Em contrapartida, críticos argumentam que a eleição em fevereiro atrasa medidas urgentes para as famílias atingidas pela inflação. Com o Chudo mantendo 12,9% de apoio, a oposição tenta consolidar os eleitores moderados que se sentem distantes da agenda conservadora da atual administração.

Com informações via Asahi Shimbun e Mainichi Shimbun