Perigo no Pátio: Alerta sobre contaminações em garrafas de água nas escolas japonesas

Casos de contaminação de garrafas de água com ímãs e remédios forçam escolas japonesas a criarem protocolos rígidos de vigilância.

Com o aumento das temperaturas nos últimos anos, as garrafas de água tornaram-se itens obrigatórios na mochila de qualquer estudante para prevenir a insolação. No entanto, o que deveria ser um hábito de saúde transformou-se em um foco de insegurança. Uma série de incidentes envolvendo a mistura de substâncias estranhas em bebidas, muitas vezes fruto de disputas entre crianças, acendeu um alerta vermelho nas prefeituras de várias províncias.

Ímãs e Objetos Metálicos: O Caso de Hyogo

Em junho de 2024, na província de Hyogo, um responsável notou um barulho estranho ao lavar o recipiente de seu filho. O culpado era um ímã de 7 milímetros. A investigação escolar revelou que outros alunos também tiveram seus pertences sabotados. Os objetos eram de livre acesso na sala de aula, usados para fixar etiquetas de nomes em quadros magnéticos.

Como resposta, a escola baniu o uso de quadros magnéticos e determinou que as garrafas de água passassem a ser guardadas dentro de bolsas individuais (tote bags), além de reforçar a supervisão dos professores nos corredores durante os intervalos.

De Desinfetantes a Remédios para Dormir

O problema não se limita a objetos sólidos. Em Kyushu, houve a suspeita de que álcool desinfetante teria sido misturado à bebida de um aluno. Em Tóquio, o caso foi ainda mais grave: em setembro de 2025, dois estudantes inseriram três pacotes de um medicamento indutor de sono (Melatobel) no recipiente de um colega.

A ingestão só foi evitada porque um terceiro aluno testemunhou o ato no banheiro e avisou a professora a tempo.

“Revisar a gestão das garrafas de água é uma medida visível, mas é crucial incutir nas crianças o entendimento de que mexer nas garrafas de outras pessoas é inaceitável” disse um oficial do conselho de educação de Tóquio.

Comparativo de Medidas de Segurança

Para mitigar os riscos, as escolas estão abandonando o hábito de deixar as garrafas de água sobre as mesas. Confira as principais mudanças:

Província/CidadeIncidente RelatadoNova Regra de Gestão
HyogoÍmãs de quadros de avisosGarrafas guardadas em bolsas individuais e vigilância nos corredores.
Tóquio (Distrito)Medicamentos para sonoArmazenamento coletivo em cestas ao lado da mesa do professor.
KyushuSuspeita de desinfetanteRigor no armazenamento de materiais de limpeza das salas.

Consequências Legais e o Papel Educativo

Embora crianças menores de 14 anos não tenham responsabilidade criminal direta, tais atos são tratados com extrema seriedade, podendo levar à intervenção de centros de consulta infantil ou tribunais de família como “delinquência juvenil”. Para adultos, a situação é criminal: em 2025, um homem em Kanagawa foi preso por contaminar as garrafas de água de colegas de trabalho.

As autoridades educacionais enfatizam que, além das travas físicas e cestas de armazenamento, o foco deve ser o combate ao bullying e o fortalecimento das relações interpessoais para evitar que “travessuras” perigosas aconteçam.

Com informações via Mainichi Shimbun