Canadá convoca OpenAI após empresa não alertar polícia antes de massacre em escola

Governo quer explicações sobre protocolos de segurança depois que atirador usou ChatGPT antes de matar oito pessoas na Colúmbia Britânica

O governo do Canadá convocou representantes da OpenAI para prestar esclarecimentos após a empresa afirmar que identificou atividades suspeitas de um usuário meses antes de ele cometer um dos piores ataques a uma escola na história recente do país.

O ministro da Inteligência Artificial do Canadá, Evan Solomon, informou que chamou os principais responsáveis pela área de segurança da empresa para uma reunião em Ottawa. O encontro deve discutir os protocolos internos da companhia e como ela decide quando encaminhar casos às autoridades policiais.

A polêmica surgiu depois que a OpenAI revelou que, em junho do ano passado, identificou a conta de Jesse Van Rootselaar por possível envolvimento em atividades violentas. A empresa considerou encaminhar o caso à Royal Canadian Mounted Police (RCMP), mas concluiu que o caso não atingia o nível necessário para acionar as autoridades. A conta foi banida por violar as regras de uso.

Neste mês, o jovem de 18 anos matou oito pessoas em Tumbler Ridge, na cidade da British Columbia, e depois tirou a própria vida. Segundo a polícia, ele teria assassinado a mãe e o meio-irmão em casa antes de atacar uma escola próxima.

O primeiro-ministro, David Eby, afirmou que “parece que houve uma oportunidade de evitar a tragédia”. Ele declarou estar indignado com a possibilidade de que o ataque pudesse ter sido prevenido.

A OpenAI afirmou que só encaminha informações às autoridades quando identifica risco iminente e confiável de dano físico grave a outras pessoas. Segundo a empresa, na época da análise, não foram encontrados indícios claros de planejamento imediato de ataque.

Após tomar conhecimento do massacre, funcionários da OpenAI entraram em contato com a polícia canadense para compartilhar informações sobre o uso da plataforma pelo suspeito.

O ministro Evan Solomon disse que entrou em contato com a empresa assim que soube que ela não havia alertado a polícia anteriormente. Ele destacou que os canadenses esperam que organizações de tecnologia ajam com responsabilidade, principalmente quando a segurança de crianças está em jogo.

Solomon afirmou ainda que o governo não descarta a possibilidade de regulamentar chatbots de inteligência artificial, como o ChatGPT, mas não confirmou se novas leis serão propostas.

O motivo do ataque ainda não foi esclarecido. A cidade de Tumbler Ridge, localizada nas Montanhas Rochosas canadenses, fica a mais de mil quilômetros de Vancouver, próxima à divisa com a cidade de Alberta.

Entre as vítimas estão uma assistente de ensino de 39 anos e cinco estudantes com idades entre 12 e 13 anos. O caso é considerado o ataque mais mortal no Canadá desde 2020, quando um atirador matou 13 pessoas da Nova Escócia, provocou incêndios que deixaram mais nove mortos.