Distribuição nacional do arroz é iniciado para redução de preços

Com alta no preço do arroz, o governo libera estoques para supermercados, mas distribuição desigual gera preocupações entre pequenos comerciantes e setor de restaurantes.

Com os preços do arroz batendo recordes no Japão, o governo deu início à liberação de seus estoques estratégicos para conter a inflação e garantir que o alimento essencial chegue à mesa dos consumidores por um valor mais acessível. No entanto, a medida levanta dúvidas sobre sua efetividade, já que a distribuição do arroz favorece grandes redes de supermercados, enquanto pequenos comerciantes e o setor de restaurantes relatam dificuldades para obter o produto.

Arroz mais barato nas prateleiras
O arroz liberado pelo governo começou a chegar a supermercados, especialmente na região metropolitana de Tóquio. A expectativa é que o preço de 5 kg do arroz tipo “blend” – uma mistura de diferentes variedades – fique na faixa dos 3.000 ienes, cerca de 10% a 20% mais barato do que o valor atual, que já ultrapassa 4.000 ienes em muitos estabelecimentos.

A rede JA Zennoh Pearl Rice, ligada à Federação Nacional de Cooperativas Agrícolas, foi uma das primeiras a começar a distribuição. Outras empresas do setor já planejam ampliar a oferta nos próximos dias, com um aumento significativo no abastecimento esperado para o fim do mês.

Preocupação entre pequenos comerciantes
Apesar da medida, pequenos mercados e mercearias relatam que não estão recebendo o arroz do estoque nacional. Um comerciante de Tóquio, que administra um supermercado local em Adachi, expressou sua frustração:

“Os mercados menores não estão recebendo esse arroz mais barato. Enquanto os preços seguem altos, os clientes acabam migrando para as grandes redes, prejudicando os pequenos negócios.”

A reclamação evidencia um problema comum em políticas de distribuição: o foco nos grandes varejistas pode acabar deixando comerciantes menores sem acesso ao benefício.

Restaurantes analisam a qualidade do arroz
Além dos supermercados, redes de restaurantes também estão de olho no arroz do governo para tentar reduzir seus custos operacionais. A gigante Yoshinoya Holdings, famosa por sua cadeia de fast food especializada em gyudon (tigela de carne com arroz), já realizou testes com amostras do arroz do governo e de misturas com grãos importados. Segundo a empresa, o sabor e a qualidade foram considerados satisfatórios, e novas avaliações serão feitas antes de uma decisão final sobre o uso nas lojas.

Já o grupo Colowide, dono da rede de churrascarias “Gyukaku”, também estuda incorporar o arroz aos seus cardápios. No entanto, há um receio entre os restaurantes sobre a disponibilidade do produto. Um representante do setor expressou preocupação:

“Queremos usar o arroz do governo para reduzir custos, mas é provável que os grandes supermercados tenham prioridade no abastecimento, dificultando o acesso para o setor de alimentação fora do lar.”

Efeito real nos preços ainda é incerto
Mesmo com a liberação dos estoques, especialistas alertam que o impacto na redução dos preços pode ser limitado. O professor Norihiro Suzuki, da Universidade de Tóquio, destaca que o estoque governamental pode ajudar a conter os aumentos, mas não resolver completamente o problema da escassez de oferta.

“A medida pode trazer algum alívio, mas a oferta geral de arroz continua apertada. No verão, quando o consumo aumenta e ainda não há nova colheita, os preços podem continuar elevados.”

Para os consumidores, a esperança é que a liberação do arroz ajude a estabilizar os preços nos próximos meses. Enquanto isso, pequenos comerciantes e restaurantes seguem buscando alternativas para não ficarem de fora do benefício.