O futuro de Fukushima: moradores exigem limpeza total da usina

Quinze anos após o desastre, líderes locais em Fukushima pedem remoção completa de resíduos até 2051.

Quinze anos se passaram desde que o mundo assistiu ao desastre na usina nuclear de Fukushima Daiichi. Enquanto o governo e a TEPCO mantêm o plano de concluir o descomissionamento de Fukushima até 2051, uma pesquisa do jornal Mainichi Shimbun revela uma divisão profunda entre as comunidades locais e as projeções oficiais.

Líderes de sete dos 13 municípios vizinhos exigem que a área esteja totalmente limpa até a data estipulada. “A conclusão inclui a remoção” disse Jun Yoshida, prefeito de Okuma. O desejo é compartilhado por Hiroyuki Uchida, prefeito de Iwaki, que busca “evitar impor mais encargos no futuro” para as próximas gerações que habitarão a região de Fukushima.

O desafio das 880 toneladas

Apesar das expectativas, os números mostram uma realidade dura. A tarefa mais complexa é a retirada dos detritos de combustível fundido. Até o momento, foram recuperados apenas 0,9 gramas de um total estimado em 880 toneladas métricas. Sem locais definidos para o descarte final desses resíduos, a meta de 2051 parece cada vez mais distante.

Diante das incertezas, alguns prefeitos adotam uma postura mais cautelosa. O prefeito de Katsurao, Hiroshi Shinoki, sugeriu que o processo pode se estender até “por volta de 2060, no máximo”. Já o governador Masao Uchibori reforçou que o governo nacional precisa assumir a responsabilidade pelo descarte dos resíduos fora da prefeitura de Fukushima.

Uma jornada de gerações

A TEPCO reconhece que o caminho final ainda não foi traçado. “A limpeza da área é uma ideia, mas nada foi decidido ainda. Devemos considerá-la com a mente aberta” disse Akira Ono, presidente da empresa de engenharia responsável pela limpeza.

Especialistas, como o professor Tatsujiro Suzuki, da Universidade de Nagasaki, são ainda mais realistas. Ele alerta que, enquanto usinas comuns tornam-se áreas verdes após o fechamento, o mesmo resultado em Fukushima “pode levar 100 anos”. A discussão sobre o formato final do local precisa, segundo ele, envolver os moradores desde agora para evitar falsas promessas.

Com informações via Mainichi Shimbun