Quadrilhas do Vale do Sinos usam perfis falsos, nomes de autoridades e ameaças para atingir vítimas no Brasil e no exterior
Quadrilhas do Vale do Sinos, no Rio Grande do Sul, ampliaram a atuação do chamado “golpe dos nudes” e passaram a atingir brasileiros que vivem no Japão. As ações partem principalmente de cidades como São Leopoldo e Novo Hamburgo.
Reportagens pelo Jornal NH e pelo portal ABC Mais apontam que uma das quadrilhas já extorquiu mais de R$ 215 mil de vítimas em vários estados brasileiros e também de pelo menos um brasileiro residente no Japão.
De acordo com as investigações, os criminosos utilizam perfis falsos nas redes sociais para iniciar conversas com as vítimas. Após a troca de mensagens e conteúdos íntimos, passam a fazer ameaças de exposição ou de falsas denúncias à polícia, exigindo pagamentos para não divulgar o material.
Em março de 2026, a Polícia Civil realizou operações no Litoral Norte e no Vale do Sinos e desarticulou parte desses grupos. Já em maio de 2025, investigações em Gravataí identificaram criminosos que usavam nomes de autoridades, como procuradores e juízes, para dar mais credibilidade às extorsões.
A atuação internacional tem sido uma nova estratégia dos golpistas. Segundo o delegado André Anicet, os criminosos utilizam nomes reais de policiais para intimidar brasileiros no exterior, alegando que as vítimas serão denunciadas à Interpol ou a consulados.
Além disso, os valores exigidos costumam ser mais altos quando as vítimas estão fora do país, especialmente no Japão, devido à conversão cambial. Em operações anteriores, a polícia já identificou prisões em São Leopoldo e em outras nove cidades ligadas a esquemas de extorsão internacional.
Autoridades japonesas também emitiram alertas sobre golpes semelhantes no país, em que criminosos se passam por policiais locais e exigem que as vítimas participem de chamadas de vídeo em situação íntima.
No Brasil, parte dessas quadrilhas atua de dentro de presídios em cidades como Pelotas e Montenegro, além de São Leopoldo. Os grupos operam em larga escala e utilizam diversas contas bancárias de terceiros, conhecidos como “laranjas”, para receber os valores.
As investigações indicam que algumas dessas organizações chegaram a lucrar mais de R$ 2 milhões em apenas sete meses.
O perfil das vítimas é semelhante na maioria dos casos: homens entre 30 e 60 anos, com estabilidade financeira e família. Segundo a polícia, o medo de exposição faz com que muitas vítimas acabem realizando os pagamentos.
As autoridades orientam que, em caso de abordagem, a vítima não faça transferências. A recomendação é registrar ocorrência na Delegacia Online da Polícia Civil e guardar todas as provas, como mensagens e comprovantes.
