Tripulação destaca escudo térmico e diz que missão aproxima NASA de novo pouso lunar
A tripulação da missão Artemis II, da NASA, elogiou o desempenho da nave Orion após o retorno à Terra, especialmente o escudo térmico, considerado essencial para a segurança durante a reentrada na atmosfera.
Em entrevista coletiva realizada no Centro Espacial Johnson, em Houston, os quatro astronautas — Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen — afirmaram que a missão representa um avanço importante rumo a um novo pouso humano na Lua nos próximos anos.
A missão marcou o retorno de astronautas à órbita lunar após mais de 50 anos. Lançados no dia 1º de abril, eles viajaram até 252 mil milhas (cerca de 405 mil quilômetros) da Terra, tornando-se os humanos viajantes mais distantes do planeta, superando o recorde da Apollo 13.
Durante quase 10 dias de viagem, a cápsula Orion, batizada de Integrity, contornou o lado oculto da Lua e proporcionou aos astronautas vistas inéditas da superfície lunar, além da observação de um eclipse lunar total.
O momento mais crítico ocorreu na reentrada na atmosfera terrestre, quando a cápsula atingiu velocidades cerca de 39 vezes superiores à do som. Segundo Wiseman, houve apenas pequenos sinais de desgaste no escudo térmico, considerados dentro do esperado.
“Para quatro humanos olhando o escudo térmico, ele parecia excelente”, afirmou o comandante. Ele ressaltou, no entanto, que análises detalhadas ainda serão feitas para avaliar cada aspecto do material.
A cápsula pousou no Oceano Pacífico na última sexta-feira, encerrando a missão com sucesso. Desde então, os astronautas passam por uma série de exames médicos para avaliar os efeitos da viagem no corpo humano.
A Artemis II é parte do programa Artemis, que busca estabelecer uma presença sustentável na Lua. A próxima missão, Artemis III, deverá testar manobras em órbita terrestre, incluindo acoplamentos com módulos lunares desenvolvidos pelas empresas SpaceX e Blue Origin.
De acordo com o cronograma atual, a Artemis IV, prevista para 2028, deverá levar astronautas à superfície lunar, com pouso próximo ao polo sul da Lua.
A astronauta Christina Koch destacou o entusiasmo da equipe com os próximos passos. “Estamos ainda mais animados e prontos para continuar”, disse.
Já Hansen alertou que futuras missões exigirão confiança e disposição para lidar com riscos. “Pode ficar complicado muito rápido”, afirmou.
O programa Artemis pretende ir além das missões curtas do passado. Entre 1969 e 1972, durante o programa Apollo, apenas 12 astronautas caminharam na Lua, começando por Neil Armstrong e Buzz Aldrin. Agora, o objetivo é estabelecer uma base lunar e ampliar a exploração espacial de longo prazo.
