CE Rodrigues: “Ainda creio que a vilã da história na 4ª Temporada de Winx foi a Bloom”

Entre crises de liderança e a trágica morte de Nabu, revisitamos os 15 anos da temporada mais polêmica do Clube das Winx. | Foto: Rainbow S.r.L / Winx Club 4

O tempo, esse mestre da nostalgia, tem o hábito de pregar peças. Parece ter sido ontem quando, entre uma ida à lan house e a luta com modems USB, acessava o YouTube para entender o que acontecia em Gardênia através da dublagem italiana ou portuguesa-europeia.

No último dia 15 de abril de 2026, a 4ª Temporada de Winx Club completou 15 anos. No entanto, ao revisitar essa trama, ficou uma incógnita, e se a grande vilã dessa história não fosse um manipulador de sombras, mas sim da Chama do Dragão? Pois é, ela tem uma parcela de culpa. E pasmem, não é baixa.

A temporada exibida pelo SBT em 2012 na íntegra nos permite enxergar essas rachaduras. Naquela época, entre debates sobre “Ben 10: Supremacia Alienígena” e “Ultimate Spider-Man”, as Winx já eram pauta central, já que na rádio, era um monólogo pra mim quando o assunto era sobre o desenho. E o diagnóstico era claro: o sexteto nunca esteve tão desorganizado neste período.

O que atrapalhou a campanha das Winx na Terra?

Triângulos amorosos afetaram muito o foco da missão das Winx em Gardênia – Foto: Reprodução/Winx Club 4, 2009-10

Pelo lado técnico, o Believix mostrou-se uma ferramenta de combate contra os Bruxos do Círculo Negro, mas quase sem causar muito dano. Enquanto as fadas se perdiam em ataques mágicos que mal faziam cócegas no quarteto, eram os Especialistas, no corpo a corpo, que realmente equilibravam a balança. Bloom tinha uma missão no quintal de sua casa. E como líder que é, faltou muito disso nela. Tanto que no sexto episódio, é Tecna quem lembra as meninas que não estão na Terra para se divertirem.

A dinâmica amorosa, que deveria ser o suporte, tornou-se um verdadeiro calcanhar de Aquiles. Um triângulo amoroso se formou entre as três principais fadas do sexteto: Bloom, entre Sky e Andy; Brandon, entre Mitzie e Stella; E Musa, que com o Riven, atingiu um ápice tóxico. A fada priorizando uma carreira musical com o Jason em detrimento de uma estabilidade emocional que já não existia.

Entre um serviço de garçons e o trabalho no Pet Shop, a missão principal, que era proteger Roxy e derrotar os Bruxos, parecia na maioria das vezes em segundo plano. Não que estivessem despreocupados, mas parece que a vida pessoal de cada um deles estavam passando do ponto.

Dentre as batalhas ganhas, o único “cacete” real que deram foi na Mitzie e suas amigas, um alvo fácil para esconder a frustração de uma campanha desastrosa. Com o apoio da massa, as Winx se fortaleceram e deixaram os bruxos em desvantagem. A vitória no parque da cidade contribuiu para o reforço da confiança. Mas é aqui que chegamos ao ponto de inflexão que ainda gera indignação: a cegueira seletiva da Bloom.

O grande erro da sua vida custou outra vida

Defender o indefensável é um erro fatal, e isso vale em todo lugar. Assim como não se deve defender quem comete crimes na vida real, a Bloom não poderia, por outro lado, ter se iludido tão ingenuamente por uma falsa promessa de redenção dos Bruxos. Essa situação, aliás, travou uma batalha moral (e literal) contra as fadas etéreas para proteger Ogron e seu bando. O resultado dessa “diplomacia”, todos nós já sabemos.

Ogron ressuscita uma flor ao tomar o “dom da morte” que seria utilizado pela Aisha em Nabu – Foto: Reprodução/Winx Club 4, 2009-10

Nabu não era uma fada. Porém, a exemplo de Tecna em Andros, teve a coragem de uma. E mais, teve o que sobrou em nobreza e o que faltou em estratégia à própria Bloom. Em uma emboscada covarde de Ogron, que abriu um portal para tentar aniquilar as fadas, Nabu se sacrificou para conseguir neutralizar o estrago. E quando Aisha, a noiva devastada, tentou usar o Dom da Morte para trazê-lo de volta, vimos a cena mais cruel de todas: Ogron desperdiça o milagre em uma flor morta e depois, foge.

Ta aí! A passividade da Bloom diante das atrocidades prévias dos Bruxos selou o destino daquele que seria o marido de sua colega. Ela passou a mão na cabeça de quem não devia, e a vida do Nabu cobrou o seu preço.

Assim, a lição que se tira dessa cena, é justamente essa: não se deve passar a mão na cabeça de quem não merece. Basta ter um pingo de miolos para entender que um vilão, de qualquer espécie, se aproveita da compaixão alheia pra levar vantagem. Por fim, o resultado foi esse: Aisha ficou viúva e até hoje (se tirar o reboot), é a única fada que não ficou com ninguém.

Desfecho

Aisha ainda não superou a morte de Nabu, mesmo com a chegada de Roy e Nex – Foto: Reprodução/Winx Club 4, 2009-10

Hoje, olhamos para a Dimensão Ômega, onde os vilões finalmente foram eliminados, com um gosto amargo na boca. A baixa de Aisha é eterna. Apesar de promessas vagas de dublagem sobre um “despertar”, sabemos que Nabu se foi, assim como a mãe da Musa.

Como líder, Bloom tinha que abraçar a equipe e evitar atritos entre as fadas. As brigas com o Sky, o flerte com Andy e pra piorar uma série de fatores que contribuíram para que Nabu não estivesse mais entre nós, fez com que os vilões, pelo menos no meu ponto de vista, não fossem quatro, mas cinco.

A 4ª temporada permanece como a mais humana, polêmica e tecnicamente questionável da franquia. Foi o ano em que aprendemos que, às vezes, o maior inimigo não é quem nos ataca de frente, mas quem, por ingenuidade ou prepotência, nos impede de lutar contra o mal real.