Japão transforma embalagens de bioplástico em energia em teste inovador

Experimento em Osaka converte recipientes usados em biogás e aponta solução sustentável para resíduos

A empresa Osaka Gas Co. realizou um experimento para transformar embalagens usadas de bioplástico em energia, em Osaka. A iniciativa busca soluções para o reaproveitamento desse tipo de material, que vem sendo incentivado pelo governo japonês, mas ainda enfrenta desafios quanto ao descarte e uso final.

O projeto foi desenvolvido em parceria com a prefeitura local e a Osaka Metropolitan University. A ideia foi testar a viabilidade da gaseificação de biomassa em uma estação de tratamento de esgoto, com expectativa de aplicação prática até cerca de 2030.

Durante o experimento, cerca de mil embalagens de bioplástico usadas, coletadas em um refeitório universitário, foram decompostas em ácido lático. Esse material foi então misturado ao lodo de esgoto em um tanque digestor da estação, em testes realizados entre dezembro do ano passado e março deste ano.

Segundo a empresa, tanto a decomposição das embalagens quanto a conversão em biogás ocorreram de forma eficiente, embora os dados detalhados não tenham sido divulgados. Testes anteriores já indicavam que a adição de ácido lático ao lodo pode aumentar a produção de biogás em até três vezes.

Em uma estimativa, o uso de 3.500 embalagens poderia gerar biogás suficiente para abastecer cerca de 30 residências por um dia. Apesar do potencial, especialistas apontam que será necessário ampliar o uso de bioplásticos para que a tecnologia tenha impacto significativo na produção de energia local.

Atualmente, o Japão pretende aumentar o consumo de bioplásticos de 150 mil toneladas, registrado em 2022, para cerca de 2 milhões de toneladas até 2030. Esse crescimento é considerado essencial para viabilizar iniciativas como a testada em Osaka.

O experimento faz parte de um esforço maior da indústria de gás para reduzir emissões de carbono. Empresas do setor vêm investindo em alternativas ao gás natural, como o biogás e o e-metano, produzido a partir de dióxido de carbono e hidrogênio, como forma de avançar na descarbonização da matriz energética.