O fechamento de rotas reduziu a importação de petróleo do Oriente Médio, elevando custos e gerando rombo na balança japonesa.
O Japão registrou um aumento histórico nos custos com a importação de petróleo em maio, impulsionado diretamente pelo fechamento efetivo do Estreito de Ormuz. Essa passagem marítima é a rota de mais de 90% do fornecimento tradicional do país. A necessidade do governo japonês de buscar fornecedores alternativos durante a guerra no Oriente Médio fez o preço saltar para o maior patamar denominado em ienes desde o início dos registros em 1979.
Queda no fornecimento do Oriente Médio
A crise logística causou um impacto severo no fluxo de energia. A importação de petróleo bruto do Oriente Médio despencou 61,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 2,96 milhões de quilolitros.
Outros combustíveis também sofreram fortes quedas de volume:
- O gás natural liquefeito importado da região caiu 72,1%.
- As importações na categoria de derivados do petróleo, incluindo a nafta, tiveram uma redução drástica de 90%.
Rotas alternativas e explosão de preços
Para compensar essa escassez, o país recorreu a outras regiões produtoras. Os Estados Unidos emergiram como o principal fornecedor alternativo, após anunciarem recentemente um acordo preliminar para encerrar as hostilidades com o Irã.
A importação de petróleo estadunidense cresceu 24%, atingindo 50.000 quilolitros, enquanto a compra da categoria de derivados dessa mesma origem cresceu 6,6 vezes. As importações da mesma categoria de derivados oriundas de países da Asean também registraram um aumento expressivo de 93,5%.
Apesar de suprir a demanda com novas fontes, o valor médio da importação de petróleo atingiu o recorde de 114.076 ienes (cerca de 710 dólares) por quilolitro em maio, um salto anual de 67,2% segundo dados preliminares do Ministério das Finanças divulgados em 17 de junho.
O produto adquirido dos Estados Unidos chegou com um prêmio ainda maior, custando aproximadamente 122.000 ienes por quilolitro, superando o valor do produto do Oriente Médio, que foi obtido por 112.388 ienes por quilolitro através de rotas mais seguras. O preço final foi inflado por diversos obstáculos operacionais:
- Tempos de transporte marítimo mais longos.
- Aumento nas taxas globais de transporte.
- Prêmios de seguro mais altos.
- Um mercado global de óleo superaquecido.
Tabela: Custo da Importação de Petróleo por Região (Maio)
| Origem | Preço Estimado por Quilolitro |
| Média Geral Recorde | 114.076 ienes |
| Estados Unidos | Cerca de 122.000 ienes |
| Oriente Médio (rotas alternativas) | 112.388 ienes |
Impacto na balança comercial e repasse aos consumidores
Enquanto o volume físico das importações caiu, a alta geral dos preços em todo o mundo elevou o valor total gasto. Como resultado aparente desse revés econômico, o relatório do Ministério das Finanças sobre a balança comercial de maio indicou que o país entrou no vermelho pela primeira vez em quatro meses, registrando um déficit de 378,6 bilhões de ienes, o equivalente a mais de 2,3 bilhões de dólares.
O Japão estima que garantiu cerca de 65% do volume de importação do mesmo período do ano passado e projeta atingir 100% de abastecimento até julho por meio dessas novas fontes de energia. No entanto, espera-se que os custos de energia persistentemente altos acabem espremendo os lucros corporativos e, em última análise, sejam repassados aos consumidores finais.
Com informações via Asahi Shimbun e NHK World
