MERCOSUL e Japão iniciam negociações para Acordo de Parceria Econômica

Os líderes oficializaram a abertura de tratativas para um Acordo de Parceria Econômica amplo durante a cúpula no Paraguai.

O MERCOSUL e o Japão deram o primeiro passo formal para o estabelecimento de um Acordo de Parceria Econômica. O anúncio oficial do início das rodadas de negociações ocorreu durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco sul-americano, realizada em Assunção, sob a presidência temporária do Paraguai.

A abertura dos canais diplomáticos consolida um alinhamento prévio conduzido pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e pela primeira-ministra do Japão e líder do PLD, Sanae Takaichi. Ambos os mandatários haviam firmado uma declaração conjunta sobre o tema em um encontro bilateral paralelo à Cúpula do G7, ocorrida na França. O avanço baseia-se nas discussões do Marco de Parceria Estratégica, instituído em dezembro de 2025, que contou com reuniões preparatórias nos meses de janeiro e março para mapear os interesses mútuos.

Uma parceria que vai além do livre comércio

A proposta para este Acordo de Parceria Econômica diferencia-se de um tratado tradicional de livre comércio focado apenas na redução de tarifas alfandegárias. A iniciativa visa criar um ambiente de integração profunda nos negócios institucionais e corporativos.

Entre os principais eixos regulatórios previstos para as negociações estão:

  • A permissão para que empresas sul-americanas e japonesas participem de licitações governamentais em ambos os territórios.
  • O estabelecimento de termos de cooperação mútua para o desenvolvimento de novas tecnologias.
  • A criação de facilidades para o registro e proteção de patentes de medicamentos.
  • O incentivo e a expansão de investimentos cruzados entre as indústrias das duas regiões.

O Japão figura atualmente como a quarta maior economia do planeta e um dos principais parceiros comerciais do bloco na Ásia, com forte presença nos ramos automotivo, logístico e de inovação. No âmbito do MERCOSUL, o Brasil centraliza a maior fatia desse intercâmbio, concentrando 93% das exportações enviadas ao mercado japonês e absorvendo 77% das importações vindas do país asiático.

Interesses estratégicos e sensibilidades de mercado

Ao longo dos próximos dois meses, equipes técnicas de ambos os lados vão detalhar os setores que serão integrados ao tratado. O Japão manifestou interesse prioritário em ampliar o envio de produtos industrializados de alta tecnologia, como componentes robóticos, automóveis e autopeças. Em contrapartida, os negociadores japoneses buscam assegurar o acesso estável a minerais essenciais, minério de ferro, petróleo bruto e outros recursos naturais da América do Sul para diversificar suas fontes de abastecimento.

Por outro lado, o MERCOSUL, que desponta globalmente como uma das maiores potências do agronegócio, foca na ampliação de suas vendas de produtos agrícolas e carnes. O Brasil, como líder na exportação de carne bovina e de frango, lidera essa frente. No entanto, a diplomacia precisará contornar sensibilidades internas do lado asiático, onde produtores locais temem que a entrada de açúcar e carnes sul-americanas com tarifas reduzidas possa prejudicar os fornecedores domésticos.

Cenário global e a busca por novos mercados

A aceleração para selar o Acordo de Parceria Econômica reflete uma mudança de postura em uma negociação histórica que passou anos estagnada. O cenário internacional recente acabou forçando uma busca ativa por diversificação de mercados de lado a lado.

Analistas econômicos apontam que as políticas comerciais severas e o tarifaço impostos pelo governo de Donald Trump nos Estados Unidos impulsionaram diversas nações a buscar novos parceiros estratégicos. “As tarifas criadas pelos Estados Unidos têm feito com que vários países buscassem novos mercados, buscassem diversificar seus parceiros comerciais, e isso tem levado a mais acordos” disse Welber Barral.

Essa conjuntura também movimentou a agenda recente do MERCOSUL, que colocou em vigor de forma provisória o seu acordo de livre comércio com a União Europeia, além de manter conversas avançadas com o Canadá e os Emirados Árabes Unidos, e planejar aproximações com a Índia, o Vietnã e o Reino Unido.

Com informações via MERCOSUL, G1 e NHK World