Tribunal de Kyoto concluiu que as medidas de segurança contra terremotos adotadas pela operadora são adequadas; moradores anunciaram que vão recorrer da decisão
A Justiça do Japão rejeitou nesta terça-feira (14) o pedido de moradores de Kyoto para suspender a operação dos reatores 3 e 4 da usina nuclear de Oi, localizada na em Fukui. Os autores da ação alegavam que um eventual acidente poderia causar danos irreparáveis à saúde e aos meios de subsistência da população.
Na decisão, o Tribunal Distrital de Kyoto concluiu que a avaliação sobre riscos de terremotos e as medidas de segurança adotadas pela empresa Kansai Electric Power não apresentam falhas lógicas. O juiz Akira Saito afirmou que os estudos realizados pela operadora são consistentes e rejeitou os argumentos apresentados pelos moradores.
O processo foi iniciado em novembro de 2012 e, ao longo dos anos, passou a reunir cerca de 3.400 autores. Além da suspensão das operações dos reatores, os moradores também pediam indenização por possíveis riscos relacionados à usina.
Os moradores sustentaram que a empresa subestimou a extensão de uma falha geológica capaz de provocar terremotos mais intensos e não considerou adequadamente a possibilidade de outros tipos de abalos sísmicos. Também argumentaram que os planos de evacuação seriam insuficientes em caso de emergência nuclear, devido à possibilidade de bloqueio de estradas e indisponibilidade de transporte para retirada da população.
A Kansai Electric Power contestou as acusações, afirmando que utilizou os métodos mais recentes para avaliar os riscos geológicos e que adotou critérios conservadores para calcular a intensidade dos possíveis terremotos. A empresa também informou que os planos de evacuação incluem rotas alternativas, além do uso de transporte marítimo e aéreo, caso as vias terrestres fiquem comprometidas.
O tribunal considerou que as alegações dos moradores sobre os riscos sísmicos não estavam baseadas em provas suficientes. Em relação aos planos de evacuação, a decisão também aceitou os argumentos apresentados pela operadora.
Outro ponto debatido durante o processo foi a validade das normas de segurança nuclear adotadas pelo Japão após o desastre da usina de Fukushima Daiichi, em 2011. Os moradores afirmaram que os regulamentos não levam em conta de forma adequada fenômenos geológicos, enquanto o governo defendeu que as normas exigem a análise desses riscos para garantir a segurança das instalações nucleares.
Insatisfeitos com a decisão, os autores da ação anunciaram que irão recorrer da sentença em instâncias superiores.
