Técnica utiliza fotografias feitas durante a dissecação do animal e pode ajudar na reconstrução de baleias extintas
Um pesquisador do Museu de Paleontologia de Ashoro, na ilha de Hokkaido, no Japão, desenvolveu uma técnica que permitiu reconstruir em três dimensões o esqueleto completo de uma baleia. O método pode ajudar cientistas a entender melhor a posição correta dos ossos desses animais e contribuir para estudos sobre espécies extintas.
O responsável pelo trabalho é Tatsuya Shinmura, curador do museu. Os resultados da pesquisa foram publicados em junho na revista científica Marine Mammal Science.
Para realizar o estudo, Shinmura utilizou uma baleia-da-família-dos-bicudos com cerca de 5,3 metros de comprimento. O animal, uma fêmea, foi encontrado encalhado em dezembro na cidade de Shinhidaka, também localizada em Hokkaido.
Durante a dissecação, o pesquisador registrou aproximadamente 100 fotografias em cada uma das cinco etapas do processo, utilizando uma câmera fotográfica profissional do tipo DSLR. À medida que a carne era removida e os ossos ficavam expostos, novas imagens eram capturadas.
Depois, todas as fotografias foram analisadas com um software especializado, que permitiu criar uma representação tridimensional completa do esqueleto da baleia, mostrando a posição exata de cada osso.
Segundo o estudo, essa técnica pode resolver um problema enfrentado há muitos anos por museus e pesquisadores. Embora existam diversos esqueletos de baleias em exposição, a posição dos ossos nem sempre é fiel à anatomia original, já que esses animais possuem grande porte e pele muito espessa, dificultando exames detalhados por raio X ou pela observação direta.
De acordo com Shinmura, o método poderá ser utilizado também em outras espécies de baleias. Além de melhorar a montagem de esqueletos em museus, a tecnologia pode auxiliar na reconstrução de baleias extintas e ampliar o conhecimento sobre a evolução desses mamíferos marinhos, seu formato corporal e a maneira como nadavam nos oceanos.
