Após primeira reunião em cinco anos, países asiáticos reativam exportação de semicondutores para a China e avançam em acordo de livre comércio, desafiando restrições americanas.
Em um movimento que pode redefinir a economia global, China, Japão e Coreia do Sul anunciaram uma resposta coordenada às sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos. A decisão foi tomada no último domingo, dia 30, durante a primeira reunião econômica entre os três países asiáticos em cinco anos.
Revés para os EUA: exportação de semicondutores é retomada
Um dos principais desdobramentos do encontro foi a decisão de retomar a exportação de semicondutores avançados para a China por parte de Japão e Coreia do Sul. A medida enfraquece a política dos EUA, que, desde 2022, restringe o acesso da China a esses componentes estratégicos usados tanto na indústria civil quanto na militar.
Esse movimento representa um desafio direto à influência americana sobre a cadeia global de suprimentos de tecnologia, especialmente considerando que Japão e Coreia do Sul são dois dos maiores produtores de semicondutores do mundo.
Negociações para área de livre comércio ganham força
Além dos semicondutores, os três países decidiram retomar as negociações para um acordo de livre comércio trilateral, fortalecendo ainda mais sua parceria econômica. Esse passo é significativo, dado o histórico de tensões políticas entre essas nações.
Atualmente, China, Japão e Coreia do Sul representam 23% da população mundial e 20% do PIB global. A formação de um bloco econômico sólido entre eles poderia alterar o equilíbrio do comércio mundial, diminuindo a dependência do Ocidente.
Aliança comercial asiática cresce em resposta aos EUA
Além da parceria trilateral, os três países reforçaram seu compromisso com a Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP), o maior acordo de livre comércio do mundo, que inclui 15 países e é liderado por esse trio. Essa medida é vista como um contraponto às tarifas comerciais impostas pelos EUA desde o governo de Donald Trump.
Europa e Canadá também reagem
A ação asiática não ocorre isoladamente. O Canadá, que já havia imposto US$ 60 bilhões em tarifas sobre produtos dos EUA, anunciou que tem mais US$ 100 bilhões em tarifas adicionais prontas para aplicação.
Enquanto isso, a União Europeia também prepara um pacote robusto de medidas econômicas contra os Estados Unidos. Além disso, Europa e Canadá fortalecem suas relações comerciais, com um acordo que eliminou tarifas sobre 98% do comércio entre as partes e já aumentou as transações em 65% desde 2017.
Impacto global e possível afastamento de aliados dos EUA
Essas ações coordenadas indicam um movimento estratégico das principais potências econômicas mundiais para mitigar os impactos da guerra comercial iniciada pelos EUA. Além disso, esse cenário pode levar ao afastamento de aliados históricos dos norte-americanos, criando um novo equilíbrio no comércio global.
Os próximos meses serão cruciais para determinar como Washington responderá a essa crescente aliança econômica que desafia sua liderança global.