Três semanas após o terremoto em Kumamoto, milhares permanecem em abrigos. Autoridades alertam para o calor e intensificam o resgate de itens históricos.
O desafio contínuo da reconstrução
Três semanas se passaram desde que um forte terremoto em Kumamoto abalou o sudoeste do Japão. O sismo, que registrou intensidade máxima de 7 na escala sísmica japonesa no dia 28 de Julho, deixou um rastro de destruição e desafios humanitários que continuam a testar a resiliência da população local e a capacidade de resposta do governo.
Balanço humano e o perigo do calor extremo
Até o fechamento desta matéria, o número de mortos chegava a 39, incluindo óbitos relacionados indiretamente ao desastre, como complicações de saúde agravadas pela situação. O balanço de danos materiais é severo: 31.951 casas foram afetadas, sendo 1.449 completamente destruídas.
Uma das cenas mais impactantes de consequência do terremoto foi a explosão em um shopping da rede AEON, que causou a morte de 7 pessoas.

Atualmente, 3.053 pessoas continuam abrigadas em 70 instalações designadas. No entanto, o número real de desabrigados pode ser consideravelmente maior, com muitos residentes se acomodando em carros ou em suas próprias casas avariadas. Essa situação levanta sérias preocupações sobre a saúde pública, especialmente com as temperaturas que frequentemente superam os 30 graus Celsius na região, elevando drasticamente o risco de insolação.

“A falta de suporte a essas pessoas pode gerar mais mortes”, alertam as autoridades de saúde, que pedem urgentemente aos municípios que localizem e auxiliem esses residentes isolados. Além do calor, a infraestrutura básica segue comprometida. Cerca de 7.380 residências nas cidades de Uki, Yatsushiro e na localidade de Hikawa ainda estão sem água encanada, com a previsão de restabelecimento total do serviço apenas para o final de agosto.
Registro histórico e científico da falha geológica
Em meio à tragédia, a ciência obteve um registro de valor inestimável para o estudo de desastres naturais. Câmeras de segurança de uma loja em Yatsushiro capturaram o momento exato em que a falha ativa (Falha de Hinagu) rompeu a superfície do solo.

O vídeo mostra o chão se deslocando e uma plantação de arroz se erguendo como se se abrisse, em uma sequência de apenas um segundo. Segundo Ryosuke Ando, professor associado de física de terremotos da Universidade de Tóquio, este é apenas o segundo registro conhecido no mundo a capturar diretamente o movimento de uma falha, após um evento similar em Mianmar em 2025.
“O vídeo tem um imenso valor científico e pode contribuir significativamente para os esforços de prevenção de desastres”, disse Ryosuke Ando. As medições no local indicam que a falha deslizou a uma velocidade de cerca de 1 metro por segundo, combinando movimentos verticais e horizontais em um deslocamento total de aproximadamente 1 metro.
A corrida para salvar o patrimônio cultural
Além da sobrevivência imediata, o Japão mobiliza esforços para proteger sua memória e identidade local. A divisão de assuntos culturais da província de Kumamoto emitiu um apelo urgente aos residentes: não descartem materiais históricos danificados.
O objetivo é evitar a perda de “propriedades culturais não designadas”, como antigos documentos, pergaminhos, ferramentas agrícolas, instrumentos musicais de festivais e artesanato que contam a história das comunidades. Diferente dos tesouros nacionais, esses itens estão em residências privadas e não possuem registro oficial, tornando-os vulneráveis ao descarte após desastres, o que poderia significar o fim de tradições locais.

As operações de resgate cultural começaram em 6 de agosto. Até o dia 13, danos já foram confirmados em 234 propriedades culturais. O governo da província está em consultas com a Agência de Assuntos Culturais para expandir esse sistema de resgate, seguindo o modelo bem-sucedido aplicado após o terremoto de Kumamoto há 10 anos, quando mais de 39 mil itens foram salvos, restaurados e devolvidos aos seus proprietários.
Apoio governamental e olhar para o futuro
O governo do PLD, sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, tem reforçado o envio de verbas de emergência e equipes de apoio para acelerar a restauração da infraestrutura e garantir que nenhum cidadão fique para trás. A recuperação de Kumamoto será um processo longo, mas a união entre a ciência, a preservação da história e o apoio comunitário mostra o caminho sólido para a reconstrução da região.
