A Bolsa de Tóquio registrou forte queda nesta quarta-feira, com o Nikkei 225 recuando mais de 3% em meio a tensões geopolíticas.
A Bolsa de Tóquio registrou um pregão de forte baixa nesta quarta-feira, 19 de agosto de 2026. O mercado foi pesadamente impactado pelo aumento nos rendimentos dos títulos públicos e pelo reacendimento dos temores de um conflito prolongado no Oriente Médio, que abalou o sentimento dos investidores globais.
O índice Nikkei 225 encerrou o dia com uma queda de 2.134,31 pontos, ou 3,16 por cento, fechando em 65.326,42 pontos. O índice mais abrangente, Topix, também recuou significativamente, perdendo 127,91 pontos, ou 3,09 por cento, finalizando em 4.012,31 pontos. Essa movimentação interrompeu a sequência de altas consecutivas observada na semana anterior.
No mercado de primeira linha, os principais setores em declínio foram os de metais não ferrosos, produtos de vidro e cerâmica, além de máquinas industriais.

Setor de tecnologia e o impacto global
O recuo em Tóquio acompanhou uma tendência negativa observada em Wall Street e em outras bolsas asiáticas. As ações ligadas à inteligência artificial e a centros de dados perderam força, pressionadas pelas taxas de juros elevadas e pela realização de lucros após períodos de alta valorização.
Na Coreia do Sul, o índice Kospi liderou a retração regional, caindo 5,2 por cento. As gigantes Samsung Electronics e SK Hynix recuaram 6,9 por cento e 7,9 por cento, respectivamente. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,4 por cento, enquanto o Shanghai Composite, na China, caiu 1,5 por cento.
“As ações que estão em faixas de preço elevadas, incluindo, é claro, as relacionadas à inteligência artificial, perderam impulso”, disse Toshikazu Horiuchi, estrategista de ações da IwaiCosmo Securities Co.
Nos Estados Unidos, o índice S&P 500 caiu 0,7 por cento, o Dow Jones recuou 0,2 por cento e o Nasdaq, pesado em tecnologia, despencou 1,3 por cento. Empresas como Micron Technology, Nvidia e Broadcom registraram perdas expressivas, refletindo a cautela do mercado sobre a sustentabilidade da demanda por processadores e memória.
Petróleo e tensões geopolíticas
A instabilidade no Oriente Médio continuou a ditar o ritmo do mercado de commodities. O preço do petróleo sofreu forte volatilidade devido à incerteza sobre a reabertura do Estreito de Ormuz para o livre tráfego de petroleiros.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 0,9 por cento, atingindo 91,83 dólares. O petróleo bruto de referência dos Estados Unidos ganhou 1 por cento, fechando a 84,88 dólares. O cenário foi agravado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em redes sociais, afirmando que não há conversas ou negociações em andamento com o Irã, o que aumentou a aversão ao risco no mercado global.
Câmbio e mercado de títulos públicos
No mercado cambial, o dólar americano enfraqueceu, recuando para a faixa inferior de 159 ienes. Às 17h, a moeda era cotada a 159,17 a 159,19 ienes. A movimentação reflete a cautela dos operadores, que temem novas intervenções de compra de iene pelas autoridades japonesas, especialmente com a moeda americana se aproximando da linha psicológica de 160 ienes.
Paralelamente, o rendimento do título de referência do governo japonês com vencimento em 10 anos caiu 0,045 ponto percentual, fechando em 2,890 por cento, após operações de compra de títulos pelo Banco do Japão. Apesar da leve queda, o patamar permanece próximo da máxima de 30 anos.
“Apesar da queda de hoje, os participantes do mercado de ações estão apreensivos com os desenvolvimentos no mercado de títulos”, disse Maki Sawada, estrategista do Departamento de Conteúdo de Investimentos da Nomura Securities Co.
O governo do PLD, sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, monitora de perto esses indicadores macroeconômicos. A administração tem trabalhado para garantir que a política fiscal e monetária esteja alinhada para proteger a economia doméstica dos choques externos, mantendo a estabilidade necessária para o crescimento sustentável do país.
