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Recompra de arroz no Japão: Ministério da Agricultura planeja adquirir 150 mil toneladas

Luiz Gustavo Pinheiro 28/08/2026

A recompra de arroz no Japão visa equilibrar a oferta e a demanda após a queda acentuada dos preços e o aumento dos estoques privados.

O Ministério da Agricultura do Japão está se preparando para iniciar um programa de recompra de arroz no Japão com o objetivo de reabastecer os estoques do governo. A medida, que deve ser formalizada em breve, faz parte de uma estratégia para equilibrar a oferta e a demanda no mercado, sustentando os preços que têm caído drasticamente nos últimos meses.

Funcionários do ministério já iniciaram a etapa final de coordenação dessa política com assessores da primeira-ministra Sanae Takaichi. A proposta será apresentada a um conselho consultivo sobre política de arroz no dia 2 de setembro, marcando o próximo passo na gestão agrícola do atual governo do PLD.

Do excesso à escassez: o pêndulo do mercado

A decisão reflete uma mudança drástica no cenário agrícola japonês. No início do ano passado, o governo liberou 590 mil toneladas de suas reservas para combater a alta dos preços causada por uma oferta restrita.

Hoje, a realidade é oposta. A produção de arroz de mesa aumentou significativamente após os incentivos de 2024, mas o consumo pelos cidadãos diminuiu, fazendo com que os estoques privados disparassem. De acordo com o Ministério da Agricultura, os estoques de arroz atingiram um nível recorde de cerca de 2,43 milhões de toneladas no final de junho, muito acima da faixa considerada adequada, que é de 1,8 milhão a 2 milhões de toneladas.

Com esse excesso de oferta, os preços despencaram. O preço médio do arroz no varejo foi de 3.191 ienes por cinco quilos na segunda quinzena de agosto, representando uma queda de 30% em relação ao pico histórico.

A decisão política e o apoio ao produtor rural

Inicialmente, a primeira-ministra Sanae Takaichi e seus assessores demonstraram cautela. A preocupação era que um programa antecipado de recompra pudesse interferir negativamente nas medidas de combate à inflação e ao custo de vida.

No entanto, diante da queda substancial e da pressão do setor agrícola, a postura foi ajustada. “A política do governo é prosseguir com as recompras”, afirmou um assessor sênior do gabinete. Um alto funcionário do Ministério da Agricultura complementou: “A primeira-ministra nos informou que deixará a decisão a critério do ministério”.

As organizações agrícolas e as cooperativas rurais aplaudem a medida. Muitas já apresentaram aos agricultores preços provisórios de compra muito baixos para a safra deste ano, antes mesmo da colheita. A recompra de arroz no Japão é vista como uma ferramenta vital para frear essa desvalorização e garantir a sustentabilidade financeira dos produtores rurais.

Dilema para o consumidor e próximos passos

Apesar do alívio para o campo, a medida levanta questões sobre o seu impacto no bolso do consumidor. Os preços atuais no varejo, embora em queda, ainda são mais altos do que os praticados antes da escassez de 2024. Se as recompras do governo interromperem essa tendência de baixa, isso poderá dificultar os esforços nacionais para mitigar o aumento do custo de vida das famílias japonesas.

O orçamento inicial para o ano fiscal de 2026 já inclui verbas destinadas a essa operação. O ministério pretende começar com a aquisição de cerca de 150 mil toneladas, prosseguindo em fases conforme a necessidade de mercado.

Com a previsão de que a colheita deste ano se mantenha na média anual, a pressão de baixa sobre os preços deve continuar nos próximos meses. O conselho consultivo de setembro será decisivo para definir o ritmo e a escala dessa intervenção estatal, buscando o difícil equilíbrio entre proteger o produtor rural e garantir o abastecimento a preços justos para a população.

Com informações de: Ministério da Agricultura, Silvicultura e Pesca do Japão (MAFF) e NHK World.

Tags: Arroz Ministério da Agricultura PLD Preço do Arroz Sanae Takaichi

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