O Ministério da Justiça do Japão distribuiu cerca de 200 tradutores portáteis com inteligência artificial (IA) em presídios e centros de detenção do país. A iniciativa busca reduzir conflitos causados por dificuldades de comunicação e facilitar a reabilitação dos internos. Desde agosto de 2025, os equipamentos chegaram a 129 das 171 instalações penais japonesas, o equivalente a aproximadamente 75% do total. Além disso, o governo pretende ampliar o atendimento aos detentos estrangeiros e favorecer sua reintegração social.
Tradutores com IA melhoram a comunicação nas prisões
Na Penitenciária de Fuchu, em Tóquio, os aparelhos já apresentam resultados na comunicação entre funcionários e detentos. Um cidadão chileno que não compreende japonês passou a demonstrar interesse pelas oficinas de trabalho depois que começou a conversar com os agentes por meio do tradutor. Anteriormente, as dificuldades de comunicação faziam com que ele não seguisse as orientações e permanecesse em uma cela individual. Agora, segundo um funcionário, o diálogo permite construir gradualmente uma relação de confiança.
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Além disso, os dispositivos ajudam os agentes a compreender melhor as necessidades dos internos. Antes da implantação, os funcionários recorriam frequentemente a gestos para transmitir instruções. Com isso, a falta de compreensão das regras também provocava conflitos. Atualmente, os detentos podem fazer perguntas sobre as normas da prisão e receber explicações em seu próprio idioma. Dessa maneira, os agentes conseguem utilizar o diálogo para orientar os internos, em vez de depender apenas da imposição de ordens.
Equipamentos traduzem cerca de 90 idiomas
Os dispositivos cabem na palma da mão e traduzem conversas em aproximadamente 90 idiomas. Além disso, conseguem interpretar textos e avisos a partir de fotografias. Na escolha dos equipamentos, o Ministério da Justiça também considerou critérios de segurança. Entre as exigências, está a garantia de que o conteúdo traduzido não seja utilizado para treinar sistemas de inteligência artificial.
Em princípio, estrangeiros que não falam japonês são encaminhados a seis instalações específicas, incluindo as penitenciárias de Fuchu e Osaka e o Centro de Detenção de Tóquio. Entretanto, embora essas unidades contem com especialistas em interpretação, existem apenas 28 vagas para esses profissionais em todo o sistema. Por esse motivo, durante a noite, nos fins de semana e em situações cotidianas, os próprios agentes costumam assumir a comunicação.
Como os funcionários não podem levar smartphones para o interior dos presídios, os tradutores portáteis representam uma alternativa. O problema também atinge estrangeiros que aguardam julgamento em centros de detenção próximos às delegacias onde foram presos. Nesses locais, nem sempre há intérpretes disponíveis. Diante desse cenário, o ministério pretende ampliar a quantidade de aparelhos a partir do próximo ano fiscal, especialmente nas unidades com maior presença de estrangeiros.
Número de estrangeiros detidos cresce no Japão
Segundo dados do Ministério da Justiça, no fim de 2025 havia 2.779 estrangeiros em estabelecimentos penais japoneses. O número inclui condenados, pessoas que aguardavam julgamento e indivíduos submetidos a trabalho em substituição ao pagamento de multas. Em comparação com o fim de 2015, o total aumentou 1,3 vez. Entre os detidos, havia pessoas de pelo menos 20 nacionalidades. Os vietnamitas formavam o maior grupo, com 682 pessoas, seguidos pelos chineses, com 510.
Barreiras linguísticas afetam a reabilitação
Até então, estrangeiros que não dominavam o japonês praticamente não participavam de determinados programas especiais de reabilitação. Essas atividades incluem ações voltadas à compreensão da perspectiva das vítimas. Além disso, os detentos também enfrentavam dificuldades para frequentar cursos profissionalizantes destinados à obtenção de qualificações e licenças para a vida após a prisão.
O professor Tatsuya Ota, da Universidade Keio, especialista em política criminal, destacou que alguns estrangeiros permanecem no Japão depois de cumprir pena, mediante autorização especial de residência. Por isso, considera necessário ampliar as medidas de reintegração à sociedade japonesa e de prevenção de novos crimes. Segundo o especialista, a redução das barreiras linguísticas com os tradutores pode facilitar o acesso dos detentos estrangeiros a programas de reabilitação e formação profissional.
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