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Remoção total de material radioativo em Fukushima deve atrasar para depois de 2037

Plano inicial previa retirada nos anos 2030, mas dificuldades técnicas e preparações prolongadas adiam cronograma
Cíntia Alves 29/07/2025

Plano inicial previa retirada nos anos 2030, mas dificuldades técnicas e preparações prolongadas adiam cronograma

A retirada completa do combustível nuclear derretido da usina de Fukushima Daiichi, no Japão, deve ser adiada para após 2037, segundo informou nesta terça-feira (29) o órgão responsável por supervisionar o descomissionamento da usina, a Nuclear Damage Compensation and Decommissioning Facilitation Corp.

Inicialmente, o governo japonês e a operadora da usina, Tokyo Electric Power Company (TEPCO), planejavam iniciar essa etapa nos primeiros anos da década de 2030. No entanto, o novo cronograma estima que os trabalhos preparatórios levarão de 12 a 15 anos, e ainda serão necessários um ou dois anos adicionais para avaliar a viabilidade do plano.

A notícia representa um forte revés para o objetivo de concluir o descomissionamento da usina até 2051, uma meta estabelecida após o desastre nuclear de 2011, provocado por um terremoto seguido de tsunami que danificou gravemente os reatores.

Em entrevista coletiva, Toyoshi Fuketa, responsável pela supervisão técnica do processo, afirmou que a retirada do combustível sempre foi vista como uma tarefa extremamente difícil. Ele destacou que a dificuldade já ficou clara nas primeiras tentativas de remoção.

A TEPCO, por sua vez, declarou em outra coletiva que mantém o compromisso de finalizar o descomissionamento até 2051, mesmo com os atrasos. “Ainda não estamos em posição de rever nossa meta, pois os processos posteriores à remoção do combustível ainda são incertos”, disse Akira Ono, chefe da área de descomissionamento da empresa.

Hoje, estima-se que 880 toneladas de detritos radioativos permaneçam nos reatores 1, 2 e 3 da usina, que sofreram fusões nucleares em seus núcleos. A retirada começaria pelo reator 3, onde o combustível já foi removido, mas a TEPCO ainda avalia como criar acesso seguro aos detritos. Duas opções estão sendo analisadas: demolir um prédio de descarte de resíduos ao lado do reator 3 ou manter a estrutura intacta.

Nos últimos meses, a empresa realizou testes com amostras do combustível no reator 2, para estudar métodos seguros de retirada. Entre as técnicas em estudo estão o resfriamento com água, a estabilização com materiais de preenchimento e a perfuração controlada.

O órgão supervisor pediu que a TEPCO aprofunde os estudos técnicos antes de qualquer decisão definitiva. O futuro do projeto dependerá também da decisão do governo japonês, que coordena o cronograma de longo prazo para lidar com os resíduos da pior crise nuclear do país.

Tags: Atraso Fukushima Japão

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