Organizações educacionais pedem ação contra xenofobia nas escolas após crescimento do partido populista nas eleições; crianças de origem estrangeira relatam episódios de bullying.
Grupos de apoio à educação no Japão emitiram um alerta nacional sobre o risco de discriminação contra crianças de origem estrangeira nas escolas, diante do crescimento do partido populista Sanseito e da disseminação do slogan “Japanese First”, considerado xenofóbico por especialistas e organizações de direitos humanos.
O Sanseito ganhou força entre os jovens e conquistou várias cadeiras na Câmara Alta nas eleições de julho. Educadores temem que o discurso nacionalista do partido normalize atitudes discriminatórias dentro das salas de aula.
Durante um encontro realizado em Okayama, no oeste do Japão, uma rede nacional de professores e educadores divulgou um comunicado pedindo que conselhos de educação tomem medidas concretas para prevenir a exclusão de alunos com raízes estrangeiras.
A organização sem fins lucrativos Metanoia, que oferece aulas de japonês em áreas com alta presença de imigrantes, como Kawaguchi (Saitama), publicou diretrizes para proteger crianças contra discriminação. Entre as recomendações estão:
- Corrigir comentários insensíveis feitos por alunos, explicando por que são ofensivos
- Registrar os episódios para discussão futura com pais e professores
- Oferecer empatia e apoio emocional às crianças que foram alvo de bullying
“Queremos que a ideia de pessoas de diferentes origens vivendo lado a lado com respeito se espalhe,” declarou um representante da Metanoia.
O presidente da rede educacional, Atsushi Funachi, expressou preocupação com o impacto psicológico de episódios de discriminação vividos na infância.
“Essas memórias dolorosas podem acompanhar os alunos por toda a vida escolar,” afirmou.
Antes mesmo das eleições, já havia relatos de bullying contra crianças curdas, incluindo casos em que foram mandadas “de volta ao seu país” por colegas. A comunidade curda em Kawaguchi tem sido alvo frequente de discurso de ódio, segundo ativistas.
Com informações do Mainichi Shimbun