Intervenção militar dos EUA divide opiniões globais e acelera planos de reconstrução do setor de petróleo sob a gestão de Donald Trump.
A captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, em solo venezuelano por forças dos Estados Unidos, desencadeou uma onda de reações globais que misturam diplomacia cautelosa, críticas ferozes à estratégia de Donald Trump e uma rápida movimentação sobre as vastas reservas de petróleo do país. Enquanto Maduro se declara inocente em um tribunal federal em Manhattan, o governo americano já delineia um plano agressivo para assumir o controle da infraestrutura energética da nação sul-americana.
A Reação Internacional e o Fator Diplomático
No cenário diplomático, os ministros das Relações Exteriores do G7, incluindo o chanceler japonês Motegi Toshimitsu, coordenam esforços para garantir a segurança de cidadãos estrangeiros e debater o restabelecimento da democracia. O Japão mantém uma postura oficial de respeito ao Estado de Direito, mas o tom interno no país é de forte ceticismo. Hiromichi Tanigawa, líder da Câmara de Comércio de Fukuoka, classificou as ações de Trump como “atos de pura loucura” e comparou o presidente americano a um “ditador” cujas políticas irracionais estariam destruindo o sistema de livre comércio global. Há uma preocupação latente de que a intervenção unilateral em Caracas abra precedentes perigosos para outras potências, como a China.
A Estratégia do Petróleo e a Reconstrução em 18 Meses
Donald Trump não perdeu tempo em focar no maior ativo venezuelano: o petróleo. O presidente americano anunciou que os EUA receberão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo anteriormente sancionados, afirmando que ele mesmo controlará os fundos para garantir que sejam usados em benefício dos povos de ambos os países. Paralelamente, o Secretário de Energia, Chris Wright, e gigantes do setor como a Chevron já discutem um plano de revitalização da infraestrutura energética da Venezuela, com a promessa ousada de que o projeto de reconstrução possa ser concluído em menos de 18 meses, visando derrubar ainda mais os preços globais de energia.
A Disputa Interna: Justiça versus “Terrorismo de Estado”
Dentro da Venezuela, a polarização atingiu um novo ápice. O procurador-geral Tarek Saab denunciou a captura como um ato de “terrorismo de Estado”, exigindo a libertação imediata de Maduro sob alegação de imunidade diplomática. Em contrapartida, María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, celebrou o dia 3 de janeiro como o momento em que “a justiça derrotou a tirania”. Machado criticou duramente a presidente interina, Delcy Rodríguez, acusando-a de ser cúmplice de redes de tráfico e pedindo que investidores internacionais não confiem na liderança que permanece em Caracas, enquanto expressa seu desejo de retornar ao país para eleições livres.
