Lideranças locais de Suzuka, Kuwana e Iga reafirmam compromisso com a diversidade e coexistência, contrariando proposta do governador de encerrar admissões de funcionários não japoneses.
O cenário político na província de Mie, no centro do Japão, vive um momento de tensão institucional após o governador Katsuyuki Ichimi revelar, no final de 2025, que a província considera interromper a contratação de cidadãos estrangeiros para o quadro de funcionários públicos. Em resposta, diversos prefeitos da região utilizaram suas primeiras coletivas de imprensa de 2026 para declarar que não seguirão a diretriz provincial, priorizando a manutenção de talentos diversos e a harmonia social em suas comunidades.

A Resiliência de Suzuka e a Busca por Talentos Diversos: A prefeita de Suzuka, Noriko Suematsu, foi enfática ao afirmar que a cidade não tem planos de abolir a contratação de estrangeiros. Com uma população de quase 193 mil habitantes, Suzuka abriga mais de 10.600 residentes de 68 nacionalidades diferentes, consolidando-se como um dos principais polos de diversidade no Japão. Desde 2001, a cidade permite que residentes permanentes ocupem cargos administrativos, técnicos e de saúde. Segundo Suematsu, manter as portas abertas é essencial para estudantes estrangeiros que aspiram ao serviço público e para garantir que a administração reflita a realidade demográfica da cidade.

Kuwana: Coexistência como Resposta à Escassez de Mão de Obra: Em Kuwana, o prefeito Narutaka Ito reforçou que a política de contratação da cidade é um pilar de sua estratégia de coexistência. Com cerca de 6.000 estrangeiros impulsionando o próspero setor manufatureiro local, a cidade enfrenta uma escassez crítica de mão de obra que torna a exclusão de talentos internacionais inviável. Ito destacou que estrangeiros já atuam como concierges no paço municipal para auxiliar visitantes de fora do país e afirmou que, independentemente da postura da província, Kuwana continuará construindo uma “cidade aberta ao mundo”.

O Alerta de Iga contra a Exclusão Social: O prefeito de Iga, Toshinao Inamori, expressou uma preocupação de cunho social e diplomático. Para ele, o movimento iniciado pelo governo provincial de Mie corre o risco de enviar uma mensagem perigosa de exclusão aos residentes internacionais. Inamori teme que a interrupção das contratações prejudique os esforços de integração que têm sido construídos há décadas nas comunidades locais, onde a presença estrangeira já é parte intrínseca do tecido social e econômico.
Com informações via Mainichi Shimbun
