Alerta máximo para a saúde mental dos professores no Japão causa crise invisível

Pesquisa revela que mais de 7 mil docentes se afastaram por saúde mental no Japão, apontando urgência em reformas de trabalho e apoio psicológico em 2026.

O sistema educacional japonês enfrenta um desafio silencioso, mas devastador: o esgotamento de seus educadores. Segundo dados recentes divulgados pelo Ministério da Educação, o número de docentes afastados por transtornos psicológicos superou a marca de 7.000 pelo segundo ano consecutivo. Embora tenha ocorrido uma queda marginal de 32 casos em relação ao recorde histórico do ano anterior, os 7.087 afastamentos registrados no ano letivo de 2024 mantêm a saúde mental dos professores no Japão sob vigilância máxima.

Com uma força de trabalho de aproximadamente 922 mil profissionais, a taxa de afastamento permanece em 0,77%. O que preocupa as autoridades não é apenas o número absoluto, mas os motivos que levam esses profissionais ao limite.

Por que os professores estão adoecendo?

A pesquisa detalha que o sofrimento mental não vem de um único fator, mas de uma combinação de pressões cotidianas:

  1. Orientação Estudantil (26,5%): Lidar com problemas disciplinares, bullying e o suporte emocional aos alunos é a principal causa de estresse.
  2. Relações Interpessoais (23,2%): Conflitos com colegas de trabalho e, cada vez mais, a pressão de pais (conhecidos no Japão como “monster parents”) sobrecarregam os docentes.
  3. Burocracia Administrativa (12,7%): O excesso de formulários, pesquisas e funções de gestão escolar rouba o tempo que deveria ser dedicado ao ensino.

Embora as “longas jornadas” apareçam formalmente com apenas 0,5%, o Ministério admite que o excesso de trabalho é o “vilão oculto” que potencializa todos os outros problemas.

O Perigo do Retorno Precoce e a Adaptação

Um dado alarmante da pesquisa mostra que 46,5% dos professores afastados estavam em suas escolas atuais há menos de dois anos. Isso indica que a falta de apoio no período de adaptação e a pressão sobre recém-contratados são pontos críticos.

Além disso, a escassez de professores no Japão tem gerado um efeito colateral perigoso: o retorno precoce. Cerca de 18,1% dos professores que voltaram de uma licença acabaram se afastando novamente em menos de um ano. A pressão para preencher vagas vazias faz com que muitos retornem sem estarem totalmente recuperados, criando um ciclo de recaídas.

Contexto para 2026: O que está sendo feito?

Para complementar os dados do Ministério, fontes externas indicam que, em 2026, o governo japonês começou a implementar medidas da “Reforma do Estilo de Trabalho”. Entre as atualizações mais recentes discutidas na Dieta (o parlamento japonês), destacam-se:

  • Apoio Especializado: A contratação de mais conselheiros psicológicos exclusivos para funcionários das escolas e a inclusão de “assistentes administrativos” para liberar os professores da burocracia.
  • Revisão Salarial (Kyuyotoku): Há um debate intenso para reformar a lei que impede o pagamento de horas extras reais para professores, buscando desestimular a cultura do trabalho gratuito e excessivo.
  • Tecnologia: O uso de IA para automatizar tarefas de registro e correção, tentando reduzir a carga horária em pelo menos 10 horas semanais até o fim do próximo ciclo letivo.

“Precisamos tratar disso com a máxima urgência. Não basta detectar o sinal precocemente; precisamos mudar a estrutura que causa o adoecimento.” disse o Porta-voz do Ministério da Educação do Japão.

Com informações via Mainichi Shimbun