Rumo às Urnas: Sanae Takaichi convoca eleição antecipada para Fevereiro

Em uma manobra estratégica, a primeira-ministra busca consolidar seu mandato e validar novas políticas econômicas na campanha mais curta da história do pós-guerra.

A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou nesta segunda-feira (19) que dissolverá a Câmara Baixa no início da sessão ordinária do parlamento, marcada para o dia 23. A decisão abre caminho para uma eleição antecipada no dia 8 de fevereiro, com a campanha oficial começando em 27 de janeiro.

O movimento ocorre em um momento de alta aprovação popular para o gabinete de Takaichi, que busca um mandato direto dos eleitores para suas reformas fundamentais. “O que o Gabinete Takaichi iniciou é uma grande transformação de políticas essenciais para a nação, começando por uma política econômica e fiscal completamente nova” disse a premiê em conferência de imprensa.

A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou em 19 de janeiro, durante uma coletiva de imprensa no gabinete do primeiro-ministro, que dissolverá a Câmara Baixa em 23 de janeiro. (Imagem via Asahi)

Estratégia e Metas do Governo

A meta da coalizão governista, formada pelo PLD e pelo partido Nippon Ishin, é garantir a maioria absoluta de 233 assentos. Takaichi justificou a pressa citando a necessidade de estabilidade política para implementar o acordo de coalizão assinado em outubro, que inclui diretrizes que não constavam na plataforma anterior do partido.

Entre as promessas de destaque para aliviar o custo de vida, a primeira-ministra propôs uma isenção de dois anos no imposto sobre o consumo de alimentos. Além disso, ela defendeu uma política fiscal “responsável, porém agressiva”, buscando encerrar o que chama de austeridade excessiva para garantir a sustentabilidade a longo prazo.

“Esta é uma decisão de não fugir, não adiar, mas determinar o curso futuro do Japão junto com o povo” disse Takaichi, reforçando que deseja ser julgada diretamente pelo público.

O Desafio da Oposição e a Opinião Pública

A eleição será marcada pela estreia da Aliança Centro-Reformista, o novo bloco formado pela união entre o Partido Democrático Constitucional e o Komeito. No entanto, pesquisas recentes do jornal Asahi Shimbun sugerem que a oposição enfrenta uma subida íngreme:

  • Descrença na Oposição: Cerca de 69% dos eleitores não veem a nova aliança como um desafio sério ao governo de Sanae Takaichi.
  • Aprovação do Gabinete: O gabinete mantém 67% de apoio popular, o que explica a rapidez da dissolução parlamentar.
  • Intenção de Voto: O PLD lidera com 34% das intenções de voto no bloco proporcional, enquanto a nova aliança de oposição aparece com apenas 9%.
O líder do Partido Democrático Constitucional do Japão, Yoshihiko Noda (ao centro), e o líder do Komeito, Tetsuo Saito (o segundo da direita), exibem o logotipo de seu novo partido no distrito de Nagatacho, em Tóquio, em 16 de janeiro. (Imagem via Asahi)

Apesar do favoritismo, há críticas quanto ao momento da votação. Políticos da oposição e moradores de regiões com neve pesada reclamam das dificuldades de fazer campanha no auge do inverno. Além disso, o período de apenas 16 dias entre a dissolução e o pleito será o mais curto já registrado no Japão moderno.

Riscos e Expectativas

Críticos alertam que a eleição pode paralisar as deliberações sobre o orçamento do ano fiscal de 2026, que começa em abril. Takaichi rebateu essas preocupações afirmando que a definição do governo em fevereiro permitirá que o orçamento seja aprovado “o mais rápido possível”, minimizando impactos negativos na economia.

O mais importante desta disputa será o mandato público, que Takaichi considera essencial para consolidar sua liderança e avançar com a agenda de defesa e economia frente aos desafios geopolíticos atuais.

Com informações via Asahi Shimbun – Link 1, Link 2 e Mainichi Shimbun