Enquanto políticos se preparam para as eleições, famílias lutam contra a inflação e a falta de recursos básicos para manter a sobrevivência diária.
Enquanto os distritos turísticos de Tóquio, como Asakusa, fervilham com o retorno de visitantes estrangeiros, uma realidade paralela e dolorosa cresce nos parques vizinhos. No dia 18 de janeiro, centenas de pessoas se alinharam em silêncio para receber marmitas gratuitas, revelando que o alto custo de vida no Japão tornou-se uma barreira intransponível para muitos cidadãos comuns.
Este cenário de necessidade surge em um momento de vácuo político. A primeira-ministra Sanae Takaichi anunciou a dissolução da Câmara Baixa em 19 de janeiro, mergulhando o país em uma corrida eleitoral de três semanas que, para muitos, ignora as dificuldades imediatas das famílias.

O Orçamento Apertado das Famílias
A realidade de quem vive no limite financeiro é exemplificada por uma mãe solteira de 52 anos que trabalha como zeladora. Com um salário que mal cobre as necessidades básicas, ela viu na fila de doações uma forma de garantir a alimentação de sua filha adolescente.
“A vida não era fácil para começar, mas está ficando ainda mais difícil devido ao aumento dos preços. Achei que isso poderia aliviar nossos custos de vida, mesmo que um pouco” disse a mulher residente do distrito de Taito.
Abaixo, os números que ilustram a pressão financeira enfrentada por essa família:
| Item | Valor Aproximado (Yenes) |
| Salário Mensal Total | 160.000 |
| Aluguel | 60.000 |
| Alimentação (antes da crise) | 20.000 |
| Pagamento de Dívidas | 20.000 |
| Saldo Restante | 60.000 (para saúde, lazer e contas) |
Promessas Políticas e a Desilusão Popular
A frustração com a classe política é latente entre aqueles que dependem de auxílio humanitário. Durante a campanha anterior, o PLD havia prometido um auxílio direto de 20.000 yenes para cada cidadão, uma promessa que nunca se concretizou sob a gestão anterior e que agora parece esquecida com a nova convocação de eleições.
Muitos eleitores sentem que a decisão de Sanae Takaichi de dissolver o parlamento prioriza a manutenção do poder em vez da implementação de medidas econômicas urgentes.
“Takaichi estava dizendo: ‘Vou trabalhar, trabalhar e trabalhar’, mas ela vai dissolver a Câmara Baixa em vez de trabalhar para apoiar nossa vida cotidiana. Os políticos não estão pensando na vida das pessoas comuns, estão?” disse a zeladora, questionando se sequer irá votar em fevereiro.
O Isolamento Social e a Pobreza Oculta
Para outros, como um ex-motorista de caminhão de 58 anos que vive em Sumida, a crise afetou até as tradições familiares. Sem dinheiro para os tradicionais presentes de Ano Novo (Otoshidama), ele optou pelo isolamento.
“De forma embaraçosa, eu não tinha condições de dar dinheiro de presente de Ano Novo para os filhos dos meus parentes. Eu não estava no clima para comemorar” disse o homem enquanto aguardava por uma das 170 refeições distribuídas pela fundação Asile.

As propostas de isenção de impostos sobre alimentos, defendidas tanto pelo governo quanto pela Aliança Centro-Reformista, são vistas com ceticismo. Para quem tem fome hoje, esperar por um ciclo eleitoral parece um luxo inacessível.
“Realmente existem tantas pessoas lutando para sobreviver. Queremos que os políticos trabalhem pelo bem da sociedade olhando para as realidades à sua frente, em vez de serem movidos por manobras políticas e lutas pelo poder” disse Atsuko Imagawa, representante do grupo de apoio.
Preservar a dignidade em meio a essa crise econômica tornou-se o principal desafio para uma parcela cada vez maior da população, que espera por ações concretas além do palanque eleitoral.
Com informações via Mainichi Shimbun
