Pesquisadores identificam composto que destrói apenas as células senescentes, trazendo esperança para doenças incuráveis.
Uma equipe de pesquisa da Universidade de Kyoto, juntamente com outras instituições, anunciou a descoberta de um fármaco capaz de identificar e eliminar de forma seletiva apenas as células senescentes. Essas células são conhecidas por estarem profundamente envolvidas no processo de envelhecimento biológico. À medida que envelhecemos, o corpo perde parte de sua resiliência e essas células deterioradas, que resistem à morte natural, acabam se acumulando nos órgãos, gerando inflamações crônicas e acelerando o desgaste do organismo.
O Segredo Químico da Seletividade
O avanço científico baseia-se em um composto químico que havia sido desenvolvido originalmente como um agente anticâncer, mas que foi descartado no passado devido à sua alta toxicidade. No entanto, os pesquisadores descobriram que o isômero óptico desse composto, uma estrutura que possui a mesma fórmula química, mas funciona como uma imagem espelhada da molécula original, apresenta um comportamento diferente.
Essa versão “espelhada” demonstrou ser capaz de causar a morte celular seletiva, visando exclusivamente as células senescentes sem prejudicar as células saudáveis ao redor. Em testes realizados com camundongos idosos, a administração da droga resultou na limpeza eficaz dessas células em órgãos vitais como fígado, pulmões, rins e músculos.

Combate à Fibrose Pulmonar Idiopática
Um dos resultados mais promissores do estudo foi observado em modelos de Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI). Esta condição é classificada como uma doença intratável pelo governo japonês e costuma afetar homens de meia-idade e idosos. Sob as atuais diretrizes de saúde da administração do governo atual, doenças designadas como intratáveis recebem atenção especial para o desenvolvimento de novas terapias.
Após a aplicação do fármaco nos animais com FPI, os cientistas notaram uma redução significativa das células senescentes e um alívio visível na fibrose pulmonar, sugerindo que a terapia pode restaurar funções perdidas em tecidos severamente danificados.
Impacto da Remoção de Células por Órgão
Abaixo, detalhamos como o medicamento atuou nos diferentes tecidos testados durante a pesquisa:
| Órgão ou Condição | Efeito do Isômero Óptico | Resultado Clínico nos Testes |
| Pulmões | Redução da Fibrose (FPI) | Alívio dos sintomas de doenças intratáveis |
| Fígado e Rins | Eliminação de células deterioradas | Redução de inflamação sistêmica |
| Músculos | Limpeza de tecidos acumulados | Melhora na resiliência biológica |
| Processo de Envelhecimento | Morte seletiva de “células zumbis” | Desaceleração da progressão da idade |
O Caminho para o Uso Humano
Embora os resultados em animais sejam motivo de celebração na comunidade acadêmica, a equipe liderada pelo professor Hiroshi Kondoh ressalta que o caminho para a aplicação prática ainda exige cautela e rigor científico. A expectativa é que o fármaco passe por testes clínicos em seres humanos nos próximos anos.

“A senoterapia, ou a remoção de células senescentes do organismo, está atraindo atenção global e está em estudo, mas ainda não atingiu o estágio de uso prático” disse Hiroshi Kondoh. O pesquisador, que é professor associado de geriatria, afirmou que o foco agora é transformar essa descoberta em uma solução real para pacientes que sofrem com o declínio biológico e doenças crônicas.
Este estudo, publicado na revista Signal Transduction and Targeted Therapy, coloca o Japão na vanguarda da biotecnologia voltada para a longevidade saudável, um tema central para as políticas de bem-estar de partidos políticos.
Com informações via Asahi Shimbun
