Enquanto trabalhadores celebram o maior aumento salarial em 33 anos, pequenas empresas enfrentam onda de insolvência por custos elevados e falta de pessoal.
O cenário atual da economia do Japão revela uma dinâmica de dois gumes. Por um lado, os trabalhadores celebram um aumento no poder de compra que não era visto há décadas; por outro, o tecido empresarial de pequeno porte começa a ceder sob a pressão dos custos de importação e da escassez de mão de obra. O governo observa atentamente se este ciclo de alta salarial será suficiente para sustentar o consumo interno diante dos riscos geopolíticos globais.
Salários: A Maior Vitória em Três Décadas
Em fevereiro, a remuneração real dos japoneses apresentou um crescimento de 1,9% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Este avanço é particularmente significativo pois marca o segundo mês consecutivo de ganhos reais, indicando que os reajustes finalmente estão superando a inflação.
Os dados do Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social mostram que a remuneração básica, o núcleo do salário, saltou 3,3%, atingindo uma média de 269 mil ienes (aproximadamente 1.700 dólares). Este é o aumento mais expressivo registrado em 33 anos e oito meses.
“Os salários vêm crescendo constantemente, enquanto o ritmo de aumento da inflação vem diminuindo” disse um oficial do ministério durante a divulgação dos dados preliminares.
A Onda de Falências: O Lado Sombrio dos Custos Elevados
Apesar do otimismo no setor laboral, o número de falências corporativas no ano fiscal de 2025 ultrapassou a marca de 10 mil pelo segundo ano consecutivo. Ao todo, 10.505 empresas fecharam as portas, um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior.
O perfil dessas falências é alarmante: 76,7% dos casos envolvem pequenas e microempresas com dívidas inferiores a 100 mil ienes. O principal combustível para este colapso é a combinação de preços elevados de matérias-primas e a incapacidade de encontrar funcionários, um problema crônico no envelhecido mercado japonês.
| Fator / Setor | Dados Estatísticos | Observação |
| Total de Falências | 10.505 casos | 4º ano consecutivo de alta |
| Setor de Serviços | 3.585 casos | Maior nível em 30 anos |
| Construção Civil | 2.047 casos | Superou a marca de 2.000 após 12 anos |
| Falta de Mão de Obra | 442 casos | Recorde histórico de insolvência por este motivo |
| Altos Preços (Inflação) | 801 casos | Impacto direto da crise energética e do petróleo |
Riscos Geopolíticos e o Futuro das Empresas
O relatório da Tokyo Shoko Research alerta que o cenário pode se agravar. A guerra no Irã e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz continuam a ameaçar os preços do petróleo bruto, o que pressiona diretamente os custos operacionais de transporte e manufatura. Para as empresas menos resilientes financeiramente, o custo de manter as operações está se tornando insustentável.
Embora o passivo total das dívidas tenha caído para 1,57 trilhão de ienes, a primeira vez em quatro anos que fica abaixo de 2 trilhões, isso se deve ao fato de que a grande maioria das falências está concentrada em negócios minúsculos, e não em grandes conglomerados.
O governo de Sanae Takaichi enfrenta agora o desafio de garantir que a vitalidade da economia do Japão não seja drenada pelo desaparecimento dessas pequenas empresas, que são fundamentais para o setor de serviços e infraestrutura local.
Com informações via Asahi Shimbun e NHK World
