Bolsa de Tóquio dispara mais de 2% com otimismo global

O forte rali na Bolsa de Tóquio acompanhou os ganhos globais após sinais de paz no Oriente Médio e recuo do petróleo.

Uma onda de otimismo tomou conta dos mercados financeiros globais nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026. O grande motor desse movimento foi o anúncio do presidente norte-americano Donald Trump sobre um avanço histórico nas negociações de um acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, sinalizando o fim iminente do conflito no Oriente Médio. Diante do alívio geopolítico e da consequente queda nos preços do petróleo, as ações globais avançaram de forma expressiva, tendo a Bolsa de Tóquio como um dos principais destaques do dia.

O Nikkei 225, principal índice do mercado japonês, encerrou a sessão com uma forte alta de 1.802,77 pontos, ou 2,81%, cotado a 66.020,04 pontos. Durante o pregão, o índice chegou a saltar mais de 4%, superando temporariamente a marca de 67 mil pontos pela primeira vez em mais de uma semana. O índice amplo Topix também fechou em terreno positivo, avançando 1,35% para se fixar em 3.881,96 pontos.

O rali tecnológico e um novo marco histórico no Japão

O desempenho da praça japonesa refletiu o comportamento de Wall Street na sessão anterior, impulsionado pela forte recuperação das empresas ligadas à inteligência artificial (IA) e ao setor de semicondutores. No segmento de elite do mercado japonês (Prime Market), os ganhos foram liderados pelas indústrias de máquinas, ferro, aço e metais não ferrosos.

As gigantes da tecnologia registraram valorizações expressivas:

  • A fabricante de equipamentos para chips Tokyo Electron saltou 10,3%.
  • A holding de investimentos SoftBank Group avançou 2%.
  • O rali do setor promoveu uma mudança histórica no ecossistema corporativo japonês: a Kioxia Holdings Corp. disparou e assumiu o posto de empresa de maior valor de mercado do país, superando a montadora Toyota Motor Corp.

Apesar da euforia, analistas recomendam atenção aos movimentos de realização de lucros que limitaram parte dos ganhos no fim do dia. “A tendência recente observada na última semana, em que o mercado foi impulsionado pelas ações de grande peso relacionadas à IA e a chips, ficou evidente novamente hoje.” disse Maki Sawada, estrategista da Nomura Securities. Por outro lado, o alívio com o custo da energia acalmou os investidores. “As expectativas parecem estar aumentando, já que os comentários do lado iraniano desta vez não pareceram excessivamente negativos.” disse Masahiro Ichikawa, estrategista-chefe de mercado da Sumitomo Mitsui DS Asset Management.

Desempenho do mercado financeiro asiático e internacional

O otimismo verificado na Bolsa de Tóquio ecoou com ainda mais força pelo mercado financeiro asiático e repercutiu nas principais praças europeias, consolidando um encerramento de semana altamente lucrativo para a renda variável.

Ásia-Pacífico

O índice MSCI de ações da região Ásia-Pacífico (exceto Japão) subiu 0,6%. O principal destaque foi a Bolsa de Seul, na Coreia do Sul, onde o índice Kospi saltou 4,5%, fechando a 8.112,58 pontos e recuperando-se das perdas recentes causadas pelos temores de uma bolha tecnológica. A Samsung Electronics disparou 7,9% e a SK Hynix subiu 2,3%. Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 1,4%, enquanto na China continental o Shanghai Composite registrou alta de 1,1%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 fechou com valorização de 2%.

Europa e Nova York

As bolsas europeias abriram o pregão em alta firme, com o DAX da Alemanha subindo 1,3%, o CAC 40 de Paris avançando 1,4% e o FTSE 100 de Londres ganhando 0,7%. Em Nova York, os índices futuros operaram estáveis, consolidando os ganhos espetaculares de quinta-feira, quando o S&P 500 subiu 1,8%, retornando aos patamares de maio, o Dow Jones avançou 1,9% (ganho de 929 pontos) e o Nasdaq liderou com alta de 2,5%. O mercado norte-americano também operou sob forte expectativa pela estreia da SpaceX na Wall Street, em uma oferta pública inicial (IPO) histórica estimada em 75 bilhões de dólares.

Tabela: Resumo do Fechamento dos Mercados Mundiais

Índice FinanceiroRegião / PaísPontuação de FechamentoVariação Percentual
Nikkei 225Tóquio, Japão66.020,04 pontos+2,81%
KospiSeul, Coreia do Sul8.112,58 pontos+4,50%
Hang SengHong Kong24.585,93 pontos+1,40%
S&P 500Nova York, EUA7.394,30 pontos+1,80% (quinta-feira)
DAXFrankfurt, Alemanha24.524,21 pontos+1,30% (abertura)

Geopolítica: O acordo EUA-Irã e o recuo do petróleo

O motor de ignição para a recuperação dos mercados foi a mudança de postura de Donald Trump, que cancelou os planos de ataques aéreos contra o território iraniano após a derrubada de um helicóptero Apache no Estreito de Ormuz. O presidente norte-americano utilizou suas redes sociais para afirmar que as tratativas atingiram o escalão máximo do governo em Teerã e que os detalhes para a extensão de um cessar-fogo permanente serão anunciados nos próximos dias.

A perspectiva de reabertura total do Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto do comércio global de petróleo, provocou uma imediata retração nos contratos futuros da commodity:

  • O petróleo Brent (referência internacional) recuou 2,2%, cotado a US$ 88,37 por barril.
  • O petróleo WTI (norte-americano) cedeu 2%, operando a US$ 85,92 por barril.

Apesar da queda, os preços seguem patamares bem superiores aos US$ 70 registrados antes do início da guerra no final de fevereiro. A comunidade de analistas mantém uma postura de cautela realista. “A situação permanece altamente volátil. Isto demonstra mais uma vez a dificuldade que o Irão e os EUA enfrentam para trabalhar em prol de um cessar-fogo sustentável que permita o livre fluxo de navios através do Estreito de Ormuz.” disse Warren Patterson, analista de commodities do banco ING.

Câmbio, títulos públicos e política monetária

No mercado de moedas, os operadores de câmbio demonstraram mais ceticismo que os investidores de ações. O dólar norte-americano manteve sua força, cotado na faixa de 160,27 a 160,29 ienes por dólar em Tóquio. Essa resiliência decorre da postura defensiva de fundos cambiais, que duvidam da estabilidade do acordo e enxergam uma postura ainda rígida por parte do Irã. “O mercado de ações está reagindo positivamente, talvez até excessivamente.” disse Takuya Kanda, pesquisador sênior do Gaitame.com Research. O euro foi negociado a 1,1571 dólar.

Bancos Centrais em Alerta

A inflação acumulada provocada pelos meses de bloqueio energético forçou o Banco Central Europeu (BCE) a elevar sua taxa básica de juros de 2% para 2,25% na última quinta-feira, tornando-se a primeira grande autoridade monetária a reagir formalmente aos efeitos inflacionários da guerra. A decisão foi classificada como uma medida para evitar o descontrole das expectativas de preços no verão europeu. “Bem posicionada para lidar com a incerteza causada pela guerra,” disse Christine Lagarde, presidente do BCE, sinalizando que os próximos passos dependerão estritamente dos dados econômicos.

Nos Estados Unidos, o recuo do petróleo trouxe alívio para o mercado de títulos. O rendimento das Treasuries de 10 anos caiu de 4,55% para 4,45%, diminuindo a pressão para que o Federal Reserve eleve os juros em sua reunião na próxima semana. Sob a liderança do novo presidente do Fed, Kevin Warsh, nomeado por Trump, a expectativa majoritária é de manutenção das taxas atuais, embora os diretores possam remover formalmente as sinalizações de cortes futuros em seus comunicados oficiais.

No Japão, acompanhando a tendência internacional, o rendimento dos bônus governamentais de 10 anos cedeu 0,045 ponto percentual, encerrando em 2,635%. A administração da primeira-ministra Sanae Takaichi e as lideranças do PLD acompanham de perto essa acomodação das taxas globais, avaliando as condições macroeconômicas domésticas antes da decisão de juros do Banco do Japão, também agendada para a próxima semana.