Deputado governista diz que princesa Aiko não pode se tornar imperatriz sob lei atual do Japão

Hirofumi Nakasone afirmou que a legislação impede a sucessão feminina e defendeu que o debate sobre a família imperial seja baseado na lei, não na opinião pública

O deputado Hirofumi Nakasone, um dos principais integrantes do Partido Liberal Democrata (LDP), afirmou neste domingo que a princesa Aiko não pode se tornar imperatriz do Japão de acordo com a legislação atual. A declaração foi feita durante um discurso na cidade de Takaoka, em Toyama.

Nakasone, de 80 anos, é ex-ministro das Relações Exteriores e lidera o departamento de reforma constitucional do partido governista. Durante o evento, ele comentou o debate sobre o futuro da família imperial japonesa, que enfrenta uma redução no número de membros aptos a suceder o trono.

Segundo o parlamentar, a ascensão da princesa Aiko ao trono está “fora de questão” porque a Lei da Casa Imperial, em vigor desde 1947, permite apenas que homens descendentes da linhagem paterna assumam o cargo de imperador.

Aiko, de 24 anos, é filha única do imperador Naruhito e da imperatriz Masako. Apesar de ser a única descendente direta do atual imperador, ela não está na linha de sucessão por causa da legislação vigente.

Durante o discurso, Nakasone também afirmou que, caso Aiko se tornasse imperatriz ainda solteira, seria difícil encontrar alguém disposto a se casar com ela devido à pressão que o futuro marido enfrentaria. Ele acrescentou que a princesa também sofreria forte pressão para gerar um herdeiro homem.

As declarações ocorrem enquanto parlamentares discutem possíveis alternativas para garantir a continuidade da família imperial, que conta com um número cada vez menor de homens aptos à sucessão.

Pesquisas de opinião no Japão mostram que a maioria da população apoia a possibilidade de uma mulher assumir o trono. No entanto, o Partido Liberal Democrata, de perfil conservador, tem adotado uma postura cautelosa sobre mudanças na legislação.

Nakasone afirmou que a questão não deve ser decidida pela popularidade da proposta, mas sim pelo que determina a lei. Segundo ele, a população precisa compreender primeiro o atual sistema jurídico para que o debate sobre a sucessão imperial ocorra de forma equilibrada.

A família imperial japonesa é considerada a monarquia hereditária mais antiga do mundo. A sucessão masculina voltou a ganhar fôlego em 2006 com o nascimento do príncipe Hisahito, sobrinho do imperador Naruhito, primeiro menino da família imperial nascido desde 1965.