A Agência da Casa Imperial planeja simplificar os rituais fúnebres do Imperador Emérito Akihito, atendendo ao seu desejo de não afetar a vida cotidiana dos cidadãos.
O Imperador Emérito Akihito completa 93 anos de idade gozando de boa saúde e levando uma vida tranquila ao lado da Imperatriz Emérita Michiko. Desde sua histórica abdicação em 2019, ele se retirou completamente das atividades públicas. No entanto, seu legado de consideração pelo povo japonês continua a moldar as decisões da Casa Imperial, inclusive em relação ao seu futuro.
De acordo com informações apuradas pela NHK e fontes da Agência da Casa Imperial, o governo está estudando reduzir consideravelmente a escala dos rituais fúnebres que serão realizados quando de seu falecimento. A medida atende a um desejo expresso pelo próprio Imperador Emérito: honrar as tradições da Casa Imperial, mas minimizando ao máximo o impacto na vida cotidiana da população.

O precedente de 1989 e a preocupação com o povo
A motivação por trás dessa decisão remonta a 1989, quando o pai do Imperador Emérito, o Imperador Showa (Hirohito), faleceu. Na ocasião, rituais de grande escala foram realizados por um período prolongado. O Jardim Nacional Shinjuku Gyoen, em Tóquio, foi fechado ao público por dois meses e meio para a realização do Sojoden-no-Gi (cerimônia imperial de despedida) e do Taiso-no-Rei (funeral patrocinado pelo Estado).
Cerca de 10 mil pessoas do Japão e do exterior compareceram aos eventos, e um clima de autorestrição tomou conta de toda a sociedade japonesa, afetando significativamente a rotina nacional. Em uma mensagem em vídeo em 2016, quando sinalizou pela primeira vez sua intenção de abdicar, Akihito já expressava preocupação com o fardo que longos períodos de luto e cerimônias complexas impõem às famílias e à nação.
As mudanças propostas nos rituais
- Mudança de local: O ritual Sojoden-no-Gi, que antes era realizado em grandes espaços abertos, deve ser confinado às dependências do Palácio Imperial, especificamente no salão Seiden-Matsu-no-Ma.
- Redução de participantes: O número de presentes deve cair drasticamente de cerca de 10 mil para aproximadamente 2.500 pessoas.
- Simplificação e segurança: A realização no Palácio facilitará a garantia da segurança dos presentes, reduzirá os custos logísticos e evitará o fechamento de grandes áreas públicas da cidade.
Modernização com dignidade
Especialistas na história do sistema da Casa Imperial veem a mudança com bons olhos. Isao Tokoro, professor emérito da Universidade Kyoto Sangyo, descreveu o plano como uma “questão de grande importância” que reflete a “consideração atenciosa” do Imperador Emérito.
“Para a família imperial, essa é uma forma natural de pensar e poderia até ser chamada de tradição”, explicou Tokoro. Ele acrescenta que Akihito pode ter desejado trazer os rituais da corte, que foram modelados nas famílias reais europeias após a Era Meiji, para uma forma mais adequada aos tempos modernos, preservando a dignidade e o caráter essencial que tais rituais devem possuir.
O governo japonês tem trabalhado em estreita colaboração com a Agência da Casa Imperial para garantir que essas inovações sejam implementadas com o máximo respeito, equilibrando a preservação das tradições milenares do Trono do Crisântemo com o bem-estar e a realidade da sociedade japonesa contemporânea.
Com informações de: NHK World e The Japan Times.
