Os jardins no Japão preservam técnicas antigas que podem ajudar a prevenir enchentes. Em Kyoto, a história da Vila Imperial Katsura remonta ao século 17, durante o período Edo (1603-1867). Naquela época, aristocratas construíam casas de chá às margens do rio Katsura para observar plantações de melão no verão. Esse costume, chamado urimi, teria dado origem à vila.
No entanto, o rio Katsura transbordava com frequência após chuvas fortes. Por isso, os responsáveis projetaram o jardim para permitir a passagem da água e sua infiltração no solo. Além disso, os edifícios ficam elevados, o que ajuda a reduzir os riscos de inundação. Como não possuem calhas, deixam a chuva cair diretamente no chão. Dessa forma, o cascalho sob os beirais facilita a absorção da água. Ao longo do rio, um bosque de bambu também ajuda a conter as cheias.
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Jardins de chuva podem reduzir alagamentos
Atualmente, o Japão enfrenta episódios de chuvas torrenciais que provocam alagamentos. Enquanto isso, os sistemas tradicionais de drenagem encontram dificuldades para escoar grandes volumes de água. Como resultado, veículos ficam submersos em passagens inferiores e a água barrenta invade residências. Diante desse cenário, especialistas defendem alternativas que complementem a infraestrutura convencional.
Yukihiro Morimoto, professor emérito da Universidade de Kyoto e pesquisador de jardins de chuva, defende uma mudança de abordagem. “As medidas que dependem de grandes infraestruturas, como os sistemas de esgoto, deixam de funcionar quando os limites de projeto são ultrapassados. Se os desastres se intensificarem, elas apenas aumentarão os riscos. Precisamos repensar nossa abordagem”, afirmou. Segundo ele, várias intervenções menores podem produzir bons resultados e custar menos. Além disso, essas áreas podem reter temporariamente a água e evitar que grandes volumes cheguem de uma só vez à rede de drenagem.
Um exemplo fica no templo Shokoku-ji, em Kyoto, fundado por Ashikaga Yoshimitsu em 1382. O jardim do local consegue reter cerca de 300 milímetros de chuva em um dia. Por sua vez, o Instituto de Arquitetura do Japão defende a adoção mais ampla de tecnologias que armazenem e aproveitem a água da chuva no próprio local. Em outubro de 2025, o imperador Naruhito e a imperatriz Masako visitaram a Vila Imperial Katsura. Seis meses antes, Morimoto havia se encontrado com o casal e citado a vila como exemplo de jardim de chuva. Posteriormente, a Agência da Casa Imperial informou que a visita ampliou a compreensão do casal sobre como os jardins absorvem a água, favorecem sua infiltração no solo, ajudam a prevenir enchentes e protegem a biodiversidade.
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