Japão vai instalar mísseis de longo alcance em Kumamoto para reforçar defesa nacional

Governo pretende ampliar capacidade de contra-ataque em meio a tensões na região e preocupação com movimentações da China perto de Taiwan

O governo do Japão anunciou nesta sexta-feira (29) que vai instalar mísseis de longo alcance em Kumamoto, localizada na ilha de Kyushu, ao sudoeste do país. A medida faz parte da estratégia para desenvolver capacidades de contra-ataque em caso de emergência de segurança nacional.

Segundo o Ministério da Defesa, o primeiro envio da versão modernizada do míssil guiado terra-navio Tipo-12, pertencente à Força Terrestre de Autodefesa do Japão (GSDF), está previsto para março de 2026, na base da GSDF em Kumamoto.

Essa iniciativa tem como objetivo reforçar a defesa da cadeia de ilhas Nansei, uma região estratégica que se estende em direção a Taiwan. A localização é considerada crucial diante do aumento das tensões no leste da Ásia e preocupações com uma possível invasão chinesa a Taiwan, uma ilha democrática autônoma que a China considera parte de seu território.

O Tipo-12 modernizado está sendo desenvolvido como o primeiro míssil de longo alcance produzido totalmente no Japão, marcando um passo significativo na capacidade militar do país, que historicamente adota uma política de defesa limitada.

No entanto, o plano tem gerado críticas e preocupações internas. Especialistas alertam que a presença de mísseis de longo alcance pode transformar os locais de instalação em alvos militares, elevando o risco para as populações locais. Outros também questionam se a nova estratégia contraria o princípio constitucional japonês de defesa exclusivamente pacífica.

Mesmo diante das críticas, o governo defende que a implantação faz parte de uma resposta proporcional ao ambiente de segurança cada vez mais desafiador na região da Ásia-Pacífico.

O Japão vem aumentando gradualmente seus investimentos em defesa e revendo políticas tradicionais, com foco em fortalecer sua postura militar diante de ameaças da Coreia do Norte e da crescente influência da China no mar do sul e em torno de Taiwan.

A expectativa é que mais informações sobre o plano sejam divulgadas durante os debates no Parlamento nos próximos meses.