Inflação de 3,3% anula ganhos nominais e gera maior queda real desde o início de 2025; Banco do Japão monitora cenário para novos ajustes de juros.
O poder de compra das famílias japonesas continua sob forte pressão, conforme revelam os dados preliminares de novembro divulgados pelo Ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar Social nesta quinta-feira (08). Os salários reais, que são ajustados pela inflação, registraram uma queda de 2,8% em relação ao ano anterior. Este é o 11º mês consecutivo de declínio, marcando a retração mais acentuada desde janeiro passado e evidenciando que os aumentos de preços continuam a superar o crescimento da remuneração dos trabalhadores.
Embora o salário nominal médio tenha subido para 310.202 ienes (cerca de US$ 1.980), um aumento de 0,5% que completa uma sequência de 47 meses de ganhos, o número não foi suficiente para conter o avanço do custo de vida. A inflação ao consumidor, impulsionada pelos preços persistentemente elevados de alimentos e energia, atingiu 3,3% no período, empurrando o indicador de poder de compra para o território negativo por quase um ano inteiro.

O Fator Volatilidade e as Decisões do Banco Central
Um dos principais responsáveis pela desaceleração do crescimento nominal em novembro foi a queda drástica de 17% nas remunerações especiais, categoria que inclui bônus e pagamentos sazonais. Funcionários do ministério descrevem este componente como “volátil”, sugerindo que os dados de dezembro, que refletem os bônus de inverno mais robustos, podem oferecer uma imagem mais equilibrada da saúde financeira dos trabalhadores antes do fechamento do ano fiscal.
Este cenário coloca o Banco do Japão (BoJ) em uma posição de vigilância extrema. Após implementar o aumento das taxas de juros para o nível mais alto em três décadas no mês passado, a instituição agora observa atentamente as próximas negociações salariais de primavera, conhecidas como Shunto. O ritmo dos futuros aumentos de juros dependerá diretamente da capacidade das empresas de oferecer reajustes que finalmente superem a inflação de forma sustentável.
“A queda nos bônus e a inflação resiliente mantêm o consumo contido, tornando as negociações de primavera o termômetro vital para a política monetária de 2026.” — Avaliação baseada em relatórios do Ministério do Trabalho.
Com informações via NHK World
