Cientistas da Universidade de Kyoto e de Chiba revelam descobertas promissoras que utilizam células iPS e a inibição de proteínas para superar a barreira de tumores agressivos.
A ciência médica no Japão deu dois passos fundamentais na busca por curas mais eficazes para o câncer. Grupos de pesquisa de diferentes universidades anunciaram descobertas que podem revolucionar a forma como o sistema imunológico lida com tumores metastáticos e resistentes às terapias atuais, como os inibidores de checkpoint imunológico.

Superando a Resistência no Câncer Colorretal
Uma equipe da Universidade de Kyoto identificou por que medicamentos amplamente utilizados, como o Opdivo, falham em até 95% dos pacientes com câncer colorretal avançado. A pesquisa revelou que células chamadas fibroblastos cercam o tumor, criando uma barreira física e química que impede a entrada das células de defesa do corpo.
O estudo descobriu que esses fibroblastos liberam uma proteína específica que paralisa as células imunológicas. Em testes com ratos, os cientistas conseguiram desativar a produção dessa proteína, o que permitiu que o sistema imunológico eliminasse quase completamente o câncer.

“Isso poderia ser uma cura radical” disse Yuki Nakanishi, professor de gastroenterologia do Hospital Universitário de Kyoto. A equipe agora foca no desenvolvimento de dois agentes: um para inibir a secreção da proteína e outro para suprimir sua atividade, permitindo que tratamentos como o Opdivo voltem a funcionar.
O Sucesso Clínico das Células iPS
Simultaneamente, pesquisadores da Universidade de Chiba e do instituto Riken confirmaram, pela primeira vez no país, a eficácia de um tratamento utilizando células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). O ensaio clínico focou em pacientes com câncer de cabeça e pescoço, que atinge áreas sensíveis como língua e garganta.
O processo envolveu a criação de células de defesa especiais, chamadas de “células T exterminadoras naturais invariantes” (iNKT), a partir de células iPS. Os resultados foram animadores:
- Eficácia: Em cinco de oito pacientes, a progressão do tumor foi contida.
- Redução: Dois pacientes apresentaram diminuição moderada no tamanho dos tumores.
- Segurança: O tratamento foi considerado seguro, com efeitos colaterais mínimos e temporários.

As células iNKT têm a função única de agir como “maestros” do sistema imunológico, ativando outras células de defesa. “Os resultados são significativos, pois indicam a possibilidade do uso de células iPS para produzir grandes quantidades das células desejadas” disse Motohashi Shinichiro, professor da Universidade de Chiba.
O Futuro das Terapias Combinadas
Ambas as pesquisas apontam para um futuro onde o tratamento de câncer no Japão será personalizado e combinado. A ideia é utilizar as células iNKT para fortalecer a resposta imune global enquanto novos medicamentos removem as proteínas que protegem os tumores. Essas abordagens visam pacientes em estágios avançados, onde a cirurgia não é mais uma opção, oferecendo uma nova esperança para casos antes considerados incuráveis.
O mais importante deste novo cenário é a imunoterapia de próxima geração, que promete ser o pilar da oncologia nos próximos anos.
Com informações via NHK World e Asahi Shimbun
