Japão e Brasil firmam plano de ação para fortalecer parceria estratégica

Líderes dos dois países adotam plano de cinco anos para ampliar cooperação em diplomacia, comércio, defesa e clima. (Foto: Ricardo Stuckert, Agência Brasil | Tóquio, Japão, 2025)

Em um encontro realizado em Tóquio nesta quarta-feira, o primeiro-ministro Shigeru Ishiba e o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva adotaram um plano de ação de cinco anos para fortalecer a parceria estratégica entre os dois países. O acordo visa ampliar a cooperação em diversas áreas, incluindo diplomacia, comércio, segurança e mudanças climáticas, diante dos desafios geopolíticos e econômicos globais.

Entre as principais medidas do plano, Japão e Brasil concordaram em realizar visitas de alto nível a cada dois anos e em estabelecer um novo fórum de consultas para debater questões diplomáticas e de defesa. Essa aproximação marca um passo importante para consolidar laços entre as nações, que compartilham valores fundamentais como a democracia e o Estado de direito.

Lula foi recebido como o primeiro chefe de Estado estrangeiro em visita oficial ao Japão em seis anos, evidenciando a relevância do Brasil na política externa japonesa. Antes dele, o último líder a ser recebido nessa condição foi Donald Trump, em 2019, durante seu primeiro mandato como presidente dos Estados Unidos.

Os líderes reforçaram a necessidade de promover diálogo e multilateralismo em um mundo cada vez mais polarizado. O Japão vê o Brasil como um parceiro estratégico no Sul Global e uma peça-chave no bloco BRICS, que também inclui China e Rússia.

No comércio, os dois países possuem relações econômicas complementares: o Brasil exporta produtos agrícolas e minerais, como minério de ferro, para o Japão, enquanto os japoneses fornecem principalmente produtos industriais, incluindo autopeças.

Lula também aproveitou a visita para discutir a abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira, atualmente sujeita a restrições sanitárias rigorosas. Como próximo passo, o Japão enviará especialistas técnicos ao Brasil para realizar inspeções presenciais.

Além disso, Ishiba e Lula concordaram em aprofundar a cooperação entre o Japão e o Mercosul, bloco comercial sul-americano que inclui Argentina, Paraguai e Uruguai.

Os líderes discutiram temas críticos da política internacional, como as crises na Ucrânia, Oriente Médio e Ásia Oriental. O Japão reafirmou sua posição contra mudanças no status quo pela força ou coerção, uma referência indireta a conflitos como a invasão da Ucrânia pela Rússia e as tensões no Indo-Pacífico.

A energia renovável e a mudança climática também foram temas centrais na reunião. O Brasil, que obtém a maior parte de sua energia de fontes renováveis, sediará a COP30 em novembro, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas. A cúpula ocorrerá após a decisão de Donald Trump de retirar os EUA do Acordo de Paris, medida que pode impactar os esforços globais de redução de emissões.

O Japão e o Brasil enfatizaram a importância da implementação plena e eficaz do acordo climático e reforçaram o compromisso com iniciativas ambientais sustentáveis.

Durante sua visita de quatro dias ao Japão, Lula e a primeira-dama Janja Lula da Silva também tiveram uma audiência com o Imperador Naruhito e a Imperatriz Masako, reforçando os laços históricos entre os dois países, que celebram 130 anos de relações diplomáticas em 2024.

O plano de ação de cinco anos reflete o esforço de Japão e Brasil para aprofundar sua cooperação global e consolidar uma aliança estratégica em um cenário internacional desafiador.