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Tensão no Estreito de Ormuz: Trump pressiona aliados diante de crise energética global

Fechamento do Estreito de Ormuz provoca alta no petróleo e inflação. Trump cobra ajuda militar de Japão, Coreia do Sul e China.
Luiz Gustavo Pinheiro 17/03/2026

Fechamento do Estreito de Ormuz provoca alta no petróleo e inflação. Trump cobra ajuda militar de Japão, Coreia do Sul e China.

A crise no Oriente Médio atingiu um ponto de estrangulamento vital, não apenas para a geopolítica, mas para o bolso dos consumidores em todo o mundo. O efetivo fechamento do Estreito de Ormuz desde o final de fevereiro, decorrente de campanhas de bombardeio, paralisou o tráfego de navios-tanque e provocou uma disparada nos preços da energia. Diante desse cenário alarmante de inflação global, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou drasticamente a pressão sobre aliados, gerando respostas mistas e expondo divisões profundas sobre como garantir a segurança na região.

O Gargalo da Economia Global

O Estreito de Ormuz é, sem exagero, a artéria mais importante para o fornecimento mundial de energia. Por essa via estreita transitam diariamente cerca de 20% de todo o petróleo e gás natural liquefeito (GNL) consumido no planeta. O bloqueio dessa rota não afeta apenas grandes corporações; ele se traduz diretamente em custos de transporte mais altos, aumento nos preços dos combustíveis e, consequentemente, inflação nos alimentos e bens de consumo para famílias em todos os continentes.

A Cobrança de Washington e o Fator “Guerra”

Donald Trump não poupou críticas aos aliados ocidentais e asiáticos que rejeitaram seu pedido de enviar navios de guerra para escoltar petroleiros. Em declarações na Casa Branca, o presidente americano classificou a relutância como “ingratidão”, lembrando que as tropas dos EUA defendem países como o Japão, a Coreia do Sul e a Alemanha.

“Eles não deveriam estar apenas nos agradecendo, mas também nos ajudando. O que me surpreende é que não estão dispostos”, desabafou Trump. Ele salientou que Washington desembolsa trilhões de dólares na Otan para defender terceiros, “mas se chegar a hora de nos defender, eles não estarão lá”.

A gravidade da situação é tamanha que Trump anunciou o adiamento de sua visita oficial à China, planejada para o final de março, citando a necessidade de permanecer nos EUA devido às operações militares no Irã. “Eu adoraria ir, mas por causa da guerra, quero estar aqui. Tenho que estar aqui, é o que eu sinto”, declarou.

Respostas Mistas na Ásia

A pressão de Washington recai com mais força sobre as potências asiáticas, que dependem quase totalmente das importações do Oriente Médio. A Coreia do Sul, por exemplo, compra cerca de 70% de seu petróleo e 20% de seu GNL da região.

Seul em dilema constitucional: Embora o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, tenha enfatizado que a cooperação para garantir a segurança no Estreito de Ormuz é crucial para estabilizar a economia global, Seul adota cautela. O ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Cho Hyun, recusou-se a confirmar se Washington solicitou o envio de um navio de guerra, mas garantiu que qualquer decisão respeitará a Constituição e as leis internas, em meio a debates parlamentares sobre a legalidade de tal medida. O Ministério da Defesa afirmou que, até o momento, não recebeu pedidos concretos de deslocamento.

Tóquio Nega Pedido Concreto: No Japão, a postura é similar. O ministro da Defesa, Koizumi Shinjiro, afirmou que os EUA não fizeram nenhum pedido concreto para o envio de embarcações, mesmo após conversa telefônica com o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth. Tóquio afirma estar coletando informações com “grande preocupação”, mas nenhuma decisão foi tomada sobre o envio das Forças de Autodefesa à região.

Divisões na Europa e o Peso Alemão

Enquanto o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou estar trabalhando em um plano “viável” com outras nações, a maior economia da Europa adotou uma postura firme de rejeição à via militar.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, declarou categoricamente que seu país não participará das operações militares contra o Irã. Merz foi claro: isso significa que a Alemanha não fará parte dos esforços para proteger o Estreito de Ormuz por meios militares. Essa posição ressalta a complexidade de formar uma coalizão internacional em meio a temores de uma escalada de guerra ainda maior na região.

Enquanto a diplomacia patina e as ameaças militares persistem, o mundo observa com ansiedade o Estreito de Ormuz, ciente de que a estabilidade dessa passagem é fundamental para o bem-estar econômico de bilhões de pessoas.

Tags: China Coreia do Sul Crise Donald Trump Esteito de Ormuz EUA Irã Japão OrienteMédio petróleo Política

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