Medida marca mudança histórica na política de defesa e aumenta tensões na Ásia
O governo do Japão anunciou nesta terça que passou a operar mísseis de longo alcance com capacidade de contra-ataque em duas bases militares do país. A medida representa uma mudança significativa na política de defesa japonesa, tradicionalmente voltada apenas à proteção do território.
Os equipamentos foram instalados em bases das Forças de Autodefesa Terrestre nas cidades de Kumamoto, no sudoeste, e Shizuoka, na região central. A iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões na região, especialmente envolvendo a China.
Pela primeira vez, o Japão passa a contar com capacidade de contra-ataque, o que permite atingir bases inimigas caso um ataque seja considerado iminente, antes mesmo que danos ocorram. No entanto, especialistas alertam que erros de avaliação podem resultar em violação do direito internacional, que proíbe ataques preventivos.
O ministro da Defesa japonês, Shinjiro Koizumi, afirmou que a medida é essencial diante do cenário atual. “Este é um esforço extremamente importante para fortalecer nossa capacidade de dissuasão e resposta em um ambiente de segurança cada vez mais complexo”, declarou.
Um dos sistemas implantados é uma versão terrestre do míssil Tipo 12, com alcance de cerca de 1.000 quilômetros, capaz de atingir áreas do litoral continental a partir da região de Kyushu. Já outra base recebeu projéteis hipersônicos destinados à defesa de ilhas remotas, ainda em fase de estudo operacional.
O governo japonês também planeja expandir o uso desses armamentos para outras regiões do país até 2026, além de aprimorar o alcance dos mísseis para até 2.000 quilômetros.
Apesar dos argumentos oficiais, a decisão tem gerado preocupação entre moradores das áreas próximas às bases militares. Muitos temem que as cidades se tornem alvos em caso de conflito.
Cerca de 50 pessoas protestaram em frente a uma das bases nesta terça, com cartazes contra a presença dos mísseis. “Este é um dia de indignação. A região é densamente povoada. Kumamoto pode virar um alvo”, afirmou um dos manifestantes.
A adoção dessa capacidade militar foi prevista em documentos de segurança revisados em 2022, durante o governo do então primeiro-ministro Fumio Kishida.
Além disso, o país também vem reforçando suas forças navais e aéreas, incluindo o uso de mísseis de cruzeiro Tomahawk, de fabricação americana, e novos armamentos para caças modernos.
Com isso, o Japão sinaliza uma mudança estratégica relevante em sua defesa, em resposta ao cenário geopolítico cada vez mais tenso na Ásia.
