Análise revela que abalo inicial enfraqueceu muralha do Castelo de Kumamoto antes de colapso

Estudo em 3D mostra que danos acumulados após tremor precursor em 2016 deixaram estrutura vulnerável ao terremoto principal no Japão

Uma análise recente revelou que a muralha de pedra na entrada da torre principal do Castelo de Kumamoto, no sudoeste do Japão, desabou após sofrer danos acumulados provocados por um tremor inicial ocorrido antes do grande terremoto de 2016.

O estudo foi realizado com base em imagens aéreas em 3D, produzidas a partir de centenas de fotografias tiradas após os dois abalos. A pesquisa mostrou que a estrutura da parede já havia se afrouxado e mudado de forma após o tremor precursor registrado em 14 de abril daquele ano.

Segundo especialistas, essa fragilidade deixou a construção ainda mais vulnerável quando o terremoto principal atingiu a região na madrugada de 16 de abril. Na ocasião, a cidade de Kumamoto registrou o nível máximo 7 na escala sísmica japonesa em dois momentos.

De acordo com o professor emérito da Universidade de Kumamoto, Toshitaka Yamao, que também lidera um comitê de restauração do castelo, o impacto maior ocorreu porque a estrutura já estava comprometida. “O terremoto principal atingiu quando a muralha já estava enfraquecida pelo tremor anterior”, explicou.

A análise comparou dois conjuntos de imagens tridimensionais: um formado por 216 fotos feitas no dia seguinte ao primeiro abalo e outro com 511 imagens registradas 10 dias após o tremor principal, em parceria com um pesquisador da Universidade Hitotsubashi.

Os resultados indicaram que pedras na parede direita da torre principal ficaram soltas após o primeiro tremor. Com o terremoto principal, tanto essa quanto a outra parede desabaram, bloqueando a entrada do castelo.

Além disso, grande parte da seção superior da torre principal caiu, e rachaduras ao redor da torre menor se ampliaram. Dados da prefeitura de Kumamoto apontam que seis partes da muralha haviam desmoronado após o primeiro abalo, número que saltou para 50 depois do terremoto principal.

O impacto também atingiu o patrimônio histórico do local: o número de estruturas importantes danificadas passou de 17 para 33, afetando todos os edifícios relevantes do complexo.

O prefeito de Kumamoto, Kazufumi Onishi, relatou que algumas partes resistiram inicialmente, mas acabaram destruídas com o segundo tremor. “Houve áreas que resistiram após o primeiro abalo, mas foram completamente destruídas no principal”, afirmou.

A torre principal do castelo foi restaurada em março de 2021. No entanto, a recuperação completa das muralhas de pedra deve levar mais tempo, com previsão de conclusão até o ano de 2052.

A sequência de terremotos de 2016 começou na noite de 14 de abril, com um tremor de intensidade 5 na escala japonesa, seguido pelo abalo principal na madrugada do dia 16, que atingiu intensidade superior a 6, causando grande destruição na região.