Propostas visam garantir a estabilidade da monarquia frente à escassez de herdeiros masculinos na próxima geração.
O presidente da Câmara Baixa do Japão manifestou o desejo de alterar a Lei da Casa Imperial ainda na atual sessão da Dieta, que se encerra em 17 de julho. O objetivo central é garantir uma Sucessão Imperial estável, uma questão que se tornou urgente diante da diminuição do número de membros da família imperial.
Eisuke Mori pronunciou-se após uma reunião realizada em 15 de abril com representantes de todos os partidos políticos. O encontro marcou a retomada das discussões sobre duas propostas compiladas em 2021, que estavam estagnadas há um ano devido a divergências políticas.
“Queremos ver um projeto de lei para revisar a Lei da Casa Imperial aprovado durante a atual sessão da Dieta,” disse Eisuke Mori. Para que isso ocorra, o presidente solicitou a cooperação de todas as siglas, cujas posições ainda divergem significativamente.

As Duas Propostas em Pauta
Atualmente, a família imperial conta com apenas 16 membros, sendo apenas cinco homens. O príncipe Hisahito, de 19 anos, é o único membro da próxima geração elegível para ascender ao trono. Para enfrentar essa crise demográfica, o governo trabalha com duas frentes principais:
- Permanência de Mulheres: Permitir que as mulheres da família mantenham seu status imperial mesmo após o casamento com plebeus.
- Adoção de Descendentes Masculinos: Adotar membros masculinos de linhagem paterna vindos de antigos ramos da família imperial que foram extintos após a guerra.
Posições Partidárias
| Partido / Bloco | Prioridade | Visão sobre a Reforma |
| PLD e Nippon Ishin | Segunda Proposta | Foco na linhagem paterna para manter a legitimidade histórica. |
| Chudo (Aliança Reformista) | Em definição | Nova sigla busca unificar opiniões internas em até um mês. |
| Democrático para o Povo | Primeira Proposta | Urgência baseada na idade atual das mulheres da família. |
O PLD, sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, busca acelerar o processo após a vitória esmagadora nas eleições de fevereiro. Para a premiê, a preservação da tradição é inegociável. “O fato histórico de que a linhagem imperial foi sucedida através da linha paterna é a fonte da autoridade e legitimidade do imperador,” disse Sanae Takaichi.
Obstáculos Políticos e a Nova Oposição
Apesar do otimismo de Mori, o caminho para o consenso é complexo. A Aliança Reformista Centrista (Chudo), a maior força de oposição na Câmara, ainda não unificou seus pontos de vista. O partido foi fundado em janeiro, unindo membros do antigo Partido Constitucional Democrático e do Komeito.
Além disso, a proposta de adotar descendentes de antigos ramos imperiais enfrenta resistência. Críticos argumentam que essas famílias deixaram a vida pública em 1947 e seus descendentes foram criados como cidadãos comuns, o que poderia gerar questionamentos sobre sua integração à vida palaciana.
Enquanto o PLD e o Nippon Ishin defendem a linhagem paterna como prioridade máxima para evitar a possibilidade de um imperador por via matrilinear, outros membros da Dieta indicam que podem buscar a implementação de ambas as propostas simultaneamente para garantir a sobrevivência da instituição.
A discussão sobre a Sucessão Imperial foi deixada de lado desde abril do ano passado após impasses entre lideranças veteranas. Agora, com o prazo de julho se aproximando, a pressão sobre o parlamento para entregar uma solução definitiva nunca foi tão alta.
Com informações via Asahi Shimbun
